UPA na zona Sul de Maringá, cidade que mantém medidas mais restritivas que as estaduais
UPA na zona Sul de Maringá, cidade que mantém medidas mais restritivas que as estaduais| Foto: Aldemir de Moraes/ Prefeitura de Maringá

Após adotarem uma série de medidas restritivas, algumas cidades do Paraná estão vendo os números da Covid apresentarem uma tendência de estabilidade ou até mesmo queda. Com isso, são poucos os casos de municípios que mantém decretos locais mais severos do que os saídos do Palácio Iguaçu, em Curitiba.

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Um dos exemplos é Maringá, que prorrogou o decreto municipal até o próximo dia 13 de abril. Diferente do decreto estadual em vigor, que autoriza o funcionamento de delivery de bares e restaurantes sem restrições de dias e horários, a lei municipal determina que as entregas sejam feitas até às 23h. Para o atendimento presencial nesses locais o decreto municipal também é mais rígido: permissão até às 15h, enquanto o decreto estadual autoriza o público até às 20h.

Se por um lado a prefeitura adota medidas mais restritivas, por outro o decreto 741/2021 autoriza a realização presencial de cultos e celebrações religiosas. A recomendação segue o decidido pelo ministro do STF Nunes Marques, que garantiu a realização desses eventos desde que respeitados os limites de ocupação. A decisão do ministro também vai balizar a resolução da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) que trata das atividades religiosas durante a pandemia do coronavírus.

Já em Cianorte a situação da pandemia foi considerada tão crítica que a prefeitura decretou estado de emergência em Saúde Pública. O decreto 68/2021 possibilita que o município faça contratações emergenciais por meio de processos simplificados e admite, entre outras possibilidades, a realização compulsória de exames e a requisição de bens e serviços de pessoas naturais e jurídicas - hipótese em que será garantido o pagamento posterior de indenização justa, conforme explica o texto do decreto.

No começo de março o prefeito de Cianorte, Marco Antonio Franzato (PSD), cedeu à pressão feita pelo chefe do executivo de Maringá e decretou medidas mais restritivas de combate à doença. À época, Ulisses Maia (PSD) ameaçou instalar barreiras sanitárias para impedir a entrada de ambulâncias vindas de municípios vizinhos para buscar atendimento de pacientes com Covid em Maringá.

Cianorte conta nesta terça-feira (6) com 96 mortes e 5,4 mil casos confirmados de infeção pelo Coronavírus. A taxa de ocupação dos leitos de UTI está em 100%.

Bons resultados

Curitiba deixou a fase vermelha e entrou na bandeira laranja após serem verificadas quedas nas taxas de transmissão da Covid-19 e na média móvel de casos. A expectativa da secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak, é que os efeitos positivos do lockdown sejam sentidos nos próximos dias, com queda nas taxas de ocupação dos leitos.

Foz do Iguaçu é outra cidade que experimentou medidas restritivas severas após chegar perto do colapso do sistema de Saúde. Agora, após três semanas de medidas de contenção do contágio, a média móvel de casos caiu 50% segundo dados oficiais da prefeitura. “A redução na média móvel é um indicativo de que as medidas adotadas pela prefeitura para conter a transmissão do coronavírus, como os três lockdowns nas três primeiras semanas de março, foram efetivas”, afirma a nota oficial publicada no site da prefeitura de Foz do Iguaçu.

No Norte do Paraná, em meados de março, um grupo de municípios se juntou e adotou medidas restritivas conjuntas – mais severas do que as presentes nos decretos estaduais – como forma de combater o contágio da Covid-19. Prado Ferreira estava nesta lista, e segundo informações da prefeitura local, não é mais necessário tomar tais medidas. Por lá o lockdown que vigorou até o último dia 22 de março já trouxe resultados, como a queda de 90% nas notificações de casos suspeitos e confirmados da doença.

Bela Vista do Paraíso, outro município da lista, viu a quantidade de novos casos confirmados na cidade cair de 152 para 36 nas últimas semanas. A cidade foi uma das primeiras do interior a adotar um sistema de lockdowns que não liberou nem mesmo o funcionamento dos supermercados, que só puderam atender por entregas. Um novo decreto será publicado nesta quarta-feira, mas segundo apurou a reportagem o texto deve apenas seguir o preconizado pelo decreto estadual.

Em Lupionópolis o prefeito Toninho Pelosi (PSL) confirmou à Gazeta do Povo que decretou o lockdown em março quase à contragosto. “Nós sabemos que manter o comércio fechado, principalmente entre o dia 1º e o dia 15 é praticamente decretar a falência das lojas. É quando as pessoas recebem o salário, é quando o dinheiro gira na cidade. Depois disso, só no mês que vem”, explicou.

Mesmo assim, o prefeito afirma ter tido resultados positivos com as medidas de fechamento do comércio. Em março a cidade, que tem população total estimada em 5 mil habitantes, chegou a contabilizar 62 casos ativos e 61 suspeitos. Agora em abril esses números caíram de forma sensível, com 23 casos ativos e apenas sete suspeitos de infecção pela Covid-19. “Não vamos prorrogar o decreto municipal, vamos seguir o que o governo do Paraná decretar”, afirmou Pelosi.

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