i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Tecnologia

Pesquisadores da UFPR criam teste de coronavírus mais eficaz, rápido e barato

  • 31/08/2020 19:47
O professor Luciano Huergo e o bolsista de iniciação científica Marcelo Conzentino no Laboratório de Microbiologia Molecular da UFPR Litoral. Fotos: Divulgação
O professor Luciano Huergo e o bolsista de iniciação científica Marcelo Conzentino no Laboratório de Microbiologia Molecular da UFPR Litoral.| Foto: Divulgação

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolveram um teste para detectar a presença de anticorpos ao novo coronavírus que se mostrou mais rápido e eficaz do que a tecnologia mais sofisticada disponível atualmente. O estudo foi descrito em artigo na plataforma MedRxiv, que reúne material científico relacionado à pandemia. Para dar continuidade à pesquisa e produzir o novo teste em larga escala, os pesquisadores agora buscam uma parceria com um laboratório já certificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As notícias mais quentes do Paraná no seu WhatsApp

O teste desenvolvido pelo Laboratório de Microbiologia Molecular da UFPR, Setor Litoral, foi adaptado do método Elisa tradicional, um teste imunoenzimático que permite a detecção de anticorpos específicos e que é tido como padrão-ouro. Em vez de ser realizado em uma placa de plástico, ele acontece em nanopartículas magnéticas revestidas com antígenos virais. Com isso, há a redução no tempo de reação, agilizando os resultados: enquanto o Elisa tradicional leva cerca de três horas para apresentar o resultado, o método desenvolvido no Paraná precisa de apenas 12 minutos.

Segundo o pesquisador responsável pelo estudo, Luciano Huergo, doutor em bioquímica, o estágio de validação em laboratório foi muito favorável, com verificação de 50 amostras de casos positivos, confirmados à época pelo exame molecular RT-PCR, além de outras 200 amostras negativas, usadas como controle. A nova tecnologia confirmou a presença de anticorpos nos fragmentos que deram positivo anteriormente, e não reagiram para aqueles negativos. Para aprimorar o trabalho, pesquisadores colaboradores na Alemanha estão aplicando o teste em amostras positivas para outros tipos de coronavírus. “Nesse conjunto que testamos de 200 pessoas, elas possivelmente já se infectaram por outros tipos de vírus, mas não houve falso positivo. Mas a validação que está sendo feita é importante para uso do teste”, explicou.

Além disso, a tecnologia da UFPR fornece o quantitativo de anticorpos ao coronavírus. “Os testes rápidos que existem mostram apenas se o resultado é positivo ou não. Mas, considerando a chance de reinfecção [como ocorrida em um caso documentado em Hong Kong], saber o nível de anticorpos é muito importante, para saber se a pessoa está protegida ou não”, disse Huego.

Procedimento para detectar anticorpos do SARS-COV-2 desenvolvido na UFPR: ELISA cromogênico baseado em esferas magnéticas. Componentes de reação e diagrama da reação e distribuição dos componentes em uma placa de 96 poços. As amostras positivas desenvolvem uma coloração azul na linha H devido à formação de um complexo ternário entre o antígeno, o anticorpo primário e o secundário HPR. Registro fotográfico de ensaio típico. H2 e H12, soro de dois pacientes confirmados por PCR (leve e grave, respectivamente). Demais amostras soro de controles negativos.
Procedimento para detectar anticorpos do SARS-COV-2 desenvolvido na UFPR: ELISA cromogênico baseado em esferas magnéticas. Componentes de reação e diagrama da reação e distribuição dos componentes em uma placa de 96 poços. As amostras positivas desenvolvem uma coloração azul na linha H devido à formação de um complexo ternário entre o antígeno, o anticorpo primário e o secundário HPR. Registro fotográfico de ensaio típico. H2 e H12, soro de dois pacientes confirmados por PCR (leve e grave, respectivamente). Demais amostras soro de controles negativos.

Outra vantagem do teste é o baixo custo de produção: os insumos para produção unitária foram estimados em torno de R$ 5,00, o que vai baratear o preço final para a aquisição. Os resultados positivos e negativos podem ser confirmados por inspeção visual, sem a necessidade de instrumentação, mas um leitor de microplaca providencia maior precisão. O teste contou com o auxílio do Hospital Erasto Gaertner e de vários departamentos do Hospital de Clínicas da UFPR, mas foi todo desenvolvido em Matinhos, no Litoral do Paraná. A falta de estrutura mais sofisticada foi contornada com improvisação, e isso pode ter contribuído com o resultado final.

“Como a gente não tinha muito equipamento e nem estrutura física, a gente se virou com o que tinha. Depois, o projeto foi ganhando escala e ganhamos aporte de recursos de 40 mil euros para compra de equipamentos da Fundação Humboldt, da Alemanha. O aporte de recursos da UFPR também tem ajudado bastante na implantação”, relatou Huergo. Também houve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Fundação Araucária.

Patente já foi depositada

O registro de patente da tecnologia já foi depositado e está disponível para parcerias de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e para transferência de tecnologia via Agência de Inovação UFPR. “A produção para uso diagnóstico precisa da aprovação da Anvisa, a qual requer fabricação em laboratório certificado. A universidade não tem essa estrutura, por isso precisa de uma parceria”, informou Huego. Segundo ele, se a empresa já estiver certificada, o processo para produção e comercialização do novo teste será rápido.

Além de Huego, assinam o artigo científico os pesquisadores Marcelo S. Conzentino, Edileusa Gerhardt, Adrian R.S. Santos, Fabio de Oliveira Pedrosa, Emanuel M. Souza, Meri Bordignon Nogueira, Karl Forchhammer, Fabiane G.M. Rego, Sonia M. Raboni e Rodrigo A. Reis.

2 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 2 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.

  • S

    Sr. Walker

    ± 0 minutos

    De novo. Já não tinham inventado um outro teste ultra rápido?

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

  • J

    Jorge

    ± 2 horas

    Parabéns, seus esforços em combater o covid19 e melhorar o diagnóstico mostra como a UFPR está recheada de excelentes Doutores a alunos. Parabéns a todos. Positivismo é imprescindível!

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

Fim dos comentários.