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"Harmonia"

Após conversa com Motta, Alcolumbre adia votação da redução da maioridade penal no Senado

Após conversa com Motta, Alcolumbre adia votação da redução da maioridade penal no Senado
Alcolumbre afirma que a Câmara já está à frente na discussão do tema e defende alinhamento entre as duas Casas. (Foto: Ton Molina/Agência Senado)

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O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), adiou a votação da redução da maioridade penal após um apelo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A expectativa era que os senadores analisassem a proposta na tarde desta quarta-feira (4) após um acordo entre governistas e oposição.

Durante a sessão, Alcolumbre disse ter considerado "razoável" a "ponderação" de Motta de que a Câmara analisa uma proposta de emenda à Constituição (PEC 32/2015) sobre o tema há mais tempo do que o Senado em uma comissão especial. "Gostaria de pedir desculpas, mas preciso manter uma boa relação de convivência institucional e harmoniosa com o presidente da Câmara dos Deputados", disse o senador.

A discussão ganhou tração logo após a aprovação da PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), ocorrida na terça-feira (3), quando o plenário do Senado decidiu, por um placar apertado de 38 votos a 36, desmembrar as emendas sobre a idade penal do texto principal. Com isso, as propostas passaram a tramitar como projetos autônomos.

"Conversei com Motta e ele me disse: 'Presidente, estou tratando deste assunto há algum tempo. Queria pedir a compreensão [para] que, neste caso concreto, você pudesse deixar para que a Câmara conclua na comissão especial'. [...] Vou atender a esse pedido, não vou colocar em deliberação, vou aguardar a Câmara", acrescentou Alcolumbre.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), propôs fixar a responsabilidade penal aos 16 anos como regra geral e aos 14 anos para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas.

Contudo, a proposta que seria votada pelos senadores era a do líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE), que estabelecia a redução da maioridade penal para 16 anos de forma restrita, aplicada apenas aos crimes considerados hediondos.

Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, a comissão especial da PEC 32/2015 iniciou nesta manhã a análise de dezenas de requerimentos de audiências públicas para ouvir especialistas, membros do Poder Judiciário e representantes do sistema socioeducativo antes de qualquer deliberação definitiva.

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), havia apresentado um requerimento de calendário especial, com 56 assinaturas, para que a redução da maioridade penal fosse diretamente ao plenário, sem passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Após o adiamento, Braga pediu a Alcolumbre que coloque o requerimento em votação no dia 1º de dezembro, caso a Câmara não vote a PEC até a data.

Mais cedo, questionado se Motta teria solicitado que o Senado não votasse a matéria, Alcolumbre negou. "Não, ele não pediu para não votar. [...] Mas ele ponderou que ele está tratando há mais tempo este assunto e eu preciso ter responsabilidade institucional da boa convivência, da harmonia da nossa relação", afirmou o presidente do Senado a jornalistas antes de abrir a sessão plenária.

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