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De Malhação a Dark Horse

“Atorzinho da Malhação” e líder de cartas na Globo: veja trajetória de Mario Frias antes da política

Mario Frias enquanto era Secretário de Cultura. (Foto: Joedson Alvs / EFE)

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No centro de investigações da Polícia Federal (PF) sobre o financiamento do filme Dark Horse, do qual é roteirista, produtor e no qual interpreta um papel, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) tinha enorme destaque enquanto estrelava o seriado global Malhação (ele próprio se chamou “atorzinho”, leia mais abaixo). Em um mundo ainda anterior à supremacia das mensagens eletrônicas, Frias liderava o ranking de cartas da Globo: média de 800 por semana por volta de 1999, segundo reportagem do jornal O Globo.

Seu personagem era o mocinho Rodrigo, disputado por Tati, personagem de Priscila Fantin, e Erica – esta vivida por Samara Filippo. O papel lhe colocou acima de outras lendas da época, como Thiago Lacerda, Reynaldo Gianecchini e Fabio Assunção, no envio de correspondências à emissora – na maioria, mensagens de moças e senhoras apaixonadas por sua pinta.

“Essa temporada chegou a 40 pontos de Ibope. Algo que nunca se viu. Eu sempre brinco que foi uma época meio ‘Beatles’. Éramos meio ‘Beatles’, um fenômeno muito grande”, disse Frias, em entrevista de 2014 à Folha de S.Paulo.

Mas este não foi seu primeiro papel: ele estreou em 1996 no programa Caça-Talentos, com a apresentadora Angélica. Também na Globo participou das novelas As Filhas da Mãe, O Beijo do Vampiro, Senhora do Destino – nesta novela, fazendo o papel de um deputado corrupto chamado Thomas Jefferson. Ele voltaria a Malhação em outras ocasiões.

Também trabalhou na rede Bandeirantes em Floribella, como o Conde Máximo, na Record e, na RedeTV! realizou o sonho de se tornar apresentador, no game show O Último Passageiro e A Melhor Viagem. Humilde, não se considera um talento raro.

"Sou artista, sou ator, não sou supertalentoso, sou o 'atorzinho da Malhação’. Mas esse 'atorzinho da Malhação' sustentou a minha família por 25 anos. Tenho orgulho demais da minha profissão", disse Frias em 2021, em audiência pública da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados citada pela Folha.

Frias também teve uma tentativa como músico, com bandas de pop rock que não decolaram. Ele chegou a se apresentar em shows cover na noite de São Paulo nos anos 2000. Ele vive um dos médicos de Bolsonaro no filme Dark Horse.

Da Barra da Tijuca a Brasília

Nascido em 9 de outubro de 1971, no Rio de Janeiro, Frias foi escalado em 2020 como secretário de Cultura – cargo equivalente ao de Ministro no órgão. Ao assumir, o ex-presidente Jair Bolsonaro tornou o Ministério da Cultura uma secretaria do Ministério do Turismo e colocou no cargo a apoiadora Regina Duarte.

Após desgastes, Regina acabaria saindo e o cargo foi oferecido a Frias, próximo dos filhos de Bolsonaro por ser morador da Barra da Tijuca, conhecida vizinhança dos Bolsonaro. Bolsonaro disse ter “gostado muito dele” e o integrou à equipe.

"Quem aqui é até hoje apaixonado pelo Mario Frias?", perguntou Bolsonaro, brincando com o público feminino em evento público com ele. O ator agradeceu e deu um beijo no rosto do então presidente.

Corte na Rouanet

Frias mudou a Lei Rouanet para limitar cachês de artistas solo a R$ 3 mil, uma redução drástica em relação aos valores anteriores. Também restringiu o tempo de patrocínio de um mesmo projeto por empresa e priorizaria, segundo o discurso oficial, artistas iniciantes em detrimento de nomes consagrados.

Em outubro de 2021, ele publicou uma portaria que vedava o uso e a apologia da chamada linguagem neutra em projetos financiados pela Rouanet.

Frias defendeu a medida dizendo que a forma de expressão era a “destruição ideológica da nossa língua”. A Justiça suspendeu a portaria em 2022.

Em março de 2022, ele deixou a secretaria e se filiou ao PL para concorrer pela primeira vez como deputado federal. Acabou eleito e busca se manter no Congresso Nacional em outubro.

Frias se casou com a atriz Nívia Stelmann, com quem teve um filho. Desde 2008 está com Julianna Camatti, com quem tem uma filha de 15 anos.

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