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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou a marca de cinco ministros indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) na atual composição da Corte com a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Em ordem cronológica, os nomes indicados por Lula são:
- Cármen Lúcia, indicada em 2006 e empossada no mesmo ano;
- Dias Toffoli, indicado e empossado em 2009;
- Cristiano Zanin foi indicado em junho de 2023 e tomou posse em agosto do mesmo ano;
- Flávio Dino foi indicado em novembro de 2023 e empossado em fevereiro de 2024;
- Jorge Messias foi indicado em novembro de 2025 e aguarda sabatina e eventual posse, caso aprovado pelo Senado.
A indicação de Messias foi formalizada em novembro de 2025 e ainda depende de aprovação do Senado Federal. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que antecede a votação no plenário do Senado, ocorre desde o começo da manhã desta quarta-feira (29).
Caso seja confirmado, Messias será o terceiro nome escolhido por Lula apenas em seu atual mandato, após Cristiano Zanin e Flávio Dino.
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Messias reúne experiência no governo e proximidade com Lula
Atual chefe da Advocacia-Geral da União desde o início do terceiro mandato de Lula, Messias é considerado um nome de confiança do presidente e já atuou em diferentes áreas do governo federal.
Nos bastidores, sua indicação foi interpretada como uma escolha política e estratégica. O nome de Messias também dialoga com setores religiosos — ele é evangélico — e com a base governista no Congresso.
A escolha ocorreu após meses de especulação sobre possíveis indicados, que incluíam nomes do meio jurídico e político, como o do ex-presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Jorge Messias ganhou notoriedade nacional em 2016, durante a Operação Lava Jato, ao ser citado em um áudio interceptado entre a ex-presidente Dilma Rousseff e o presidente Lula. Na gravação, a então presidente menciona que enviaria “o Messias” com o termo de posse de Lula como ministro da Casa Civil, documento que poderia ser utilizado “em caso de necessidade”.
O episódio foi interpretado por investigadores como uma tentativa de garantir foro privilegiado ao ex-presidente, o que levou à suspensão da posse por decisão do Supremo e transformou Messias — apelidado de “Bessias” após erro de transcrição — em figura conhecida no cenário político.
Ao ocupar vaga deixada por Barroso, Messias deve herdar mais de 600 processos
A vaga aberta por Barroso — que se aposentou antes do prazo obrigatório — abriu espaço para nova indicação presidencial e reforçou a tendência de renovação parcial da Corte.
Caso seja aprovado pelo Senado, Jorge Messias deve assumir o acervo de processos herdado do ministro Luís Roberto Barroso. Estimativas apontam que o novo indicado ficará responsável por mais de 600 processos, incluindo casos remanescentes da Operação Lava Jato, disputas tributárias e ações de impacto político e social.
Entre os processos, há investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado, além de temas sensíveis já em tramitação no STF, o que pode colocar o futuro ministro no centro de julgamentos estratégicos logo no início de sua atuação na Corte.







