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O presidente da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, cancelou a sessão presencial da Segunda Turma que ocorreria na tarde desta terça-feira (8) após mais um movimento do ministro André Mendonça no embate com Alexandre de Moraes. Seria a primeira sessão presencial da turma desde o início público da crise, na última terça-feira (1º).
Está em trâmite, no plenário virtual do mesmo colegiado, a liminar que afastou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A sessão foi marcada para as 10h, uma hora e meia após a decisão. O decano, Gilmar Mendes, tentou uma suspensão com um pedido de vista, mas Fux e Nunes Marques adiantaram seus votos, formando maioria.
Após a primeira decisão de Mendonça, que expôs conversas de Daniel Vorcaro ao contato "Alexandre de Moraes", houve uma sessão presencial do tribunal pleno. Moraes senta-se tradicionalmente ao lado de Mendonça. Não houve, no entanto, qualquer menção ao caso ou sinalização. Os ministros decidiram sobre impostos a seguradoras e ouviram sustentações orais em uma discussão sobre a tributação em transferências para ampliação do capital de empresas imobiliárias.
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Moraes usou inquérito das fake news contra Mendonça e ministro reagiu
Depois disso, o relator do inquérito das fake news usou o procedimento, que já tramita há 7 anos, para apontar trechos de um relatório de inteligência e levantar suspeitas sobre a atuação de Mendonça. O ministro, de acordo com a análise da inteligência, estaria selecionando alvos, invadindo competências da PF e conduzindo delações premiadas.
A contraofensiva de Mendonça veio em resposta a um pedido do partido Novo. Nele, o magistrado questiona a legitimidade do relatório e afirma que Moraes colocou em risco as investigações ao tornar público um documento com diversos avisos sobre o grau de sigilo. Para o relator do caso Master, o documento, de autoria não identificada, teria feito associações genéricas para colocar em dúvida sua atuação.
Agora, Mendonça determinou que não podem ser criados ou tramitar, ainda que internamente, quaisquer relatórios de inteligência que analisem "atos praticados no exercício das funções constitucionais de prestação jurisdicional,advocacia pública e de polícia judiciária".
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Fachin retirou caso do inquérito das fake news e cobrou explicações
O presidente do Supremo, Edson Fachin, recebe cobranças por uma sessão pública para tratar da tensão. Entre a decisão de Mendonça e a reação de Moraes, o magistrado havia anunciado que analisaria e tomaria as medidas cabíveis "no tempo devido".
"Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza".
A velocidade da escalada fez Fachin agir já no dia seguinte. Em 3 de setembro, foi aberto um processo à parte, sob relatoria da Presidência, e o ministro explicações a Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei. No dia 4, após a ofensiva de Moraes, determinou que a decisão contra Mendonça e seus anexos fossem retirados do inquérito das fake news e incorporados à nova petição.
Hoje, a presidência do Supremo é exercida por Edson Fachin. Moraes é o vice-presidente e, pela tradição, assumiria a Presidência em 2027. Quando um processo está sob a relatoria da Presidência do STF, ele não fica vinculado ao ministro em si, mas a quem estiver ocupando a cadeira. A petição não está registrada em nome de Fachin, mas sob a relatoria do “Ministro Presidente”, segundo o cadastro do STF.
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Veja a linha do tempo do novo capítulo da crise no STF
O cancelamento da sessão ocorre após a decisão de Mendonça que representou mais um capítulo na crise sem precedentes do Supremo. A linha do tempo começa com o mês de fevereiro e ultrapassa o feriado da Independência:
- 8 de setembro de 2026, 10h06: Nunes Marques antecipa voto, acompanhando Mendonça e formando maioria;
- 1º de setembro de 2026: Mendonça retira o sigilo de uma petição e expõe um relatório da PF com detalhes sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes;
- 1º de setembro de 2026: Moraes determina que PF envie relatórios de inteligência que citam ministros do STF;
- 2 de setembro de 2026: o presidente do STF, Edson Fachin, divulga uma nota prometendo providências;
- 3 de setembro de 2026: Moraes divulga decisão no inquérito das fake news com relatório crítico a Mendonça, aponta abusos e envia caso à Presidência;
- 3 de setembro de 2026: Fachin abre prazo para manifestações de Mendonça, Moraes, PF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet;
- 4 de setembro de 2026: Fachin complementa decisão após ofensiva de Moraes, retirando o episódio do inquérito das fake news e abrindo prazo em paralelo;
- 4 de setembro de 2026: Ao lado de Lula, Fachin defende o fim do inquérito das fake news;
- 5 de setembro de 2026: Gilmar Mendes apresenta proposta de emenda ao Regimento Interno para proibir a atuação de delegados, policiais e militares em gabinetes, exceto para segurança dos ministros;
- 7 de setembro de 2026: Flávio Dino questiona se um julgador pode prometer fim de inquéritos "como se fosse um candidato ou para receber aplausos".
- 8 de setembro de 2026: 13 ex-ministros enviam carta a Edson Fachin defendendo julgamento público da controvérsia;
- 8 de setembro de 2026, 8h30: Mendonça afasta Andrei Rodrigues e Leandro Almada e marca sessão-relâmpago na Segunda Turma;
- 8 de setembro de 2026, 09h59: Termina o prazo para que os advogados apresentem suas sustentações orais;
- 8 de setembro de 2026, 10h00: inicia a sessão virtual e Gilmar mendes pede vista;
- 8 de setembro de 2026, 10h04: Fux antecipa voto, acompanhando Mendonça;
- 8 de setembro de 2026: Fux cancela sessão da Segunda Turma.




