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Casos Master e INSS

Governo chama de volta servidores da PF e põe em risco investigações sobre aliados

O senador Jaques Wagner (PT-BA), afetado por investigações da PF sobre o Master. (Foto: Fernando Maia / EFE)

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O Ministério da Justiça e Segurança Pública convocou de volta, nesta semana, policiais federais e outros servidores cedidos a outros órgãos. Segundo pessoas próximas à corporação, a ação tem potencial para afetar cerca de um terço da força-tarefa empenhada nas investigações do caso Master. Até o momento, não houve confirmação de nenhum delegado cedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) afetado pela medida.

A ação foi interpretada por analistas como um possível ato de retaliação ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, após as investigações do Master afetarem pessoas próximas ao governo.

Para o advogado criminalista André Marsiglia, caso seja confirmada a intenção do governo, de comprometer investigações que afetam aliados, existe a possibilidade de se configurar um "desvio de finalidade".

"Parece bastante possível que exista aí uma manobra, que é um ilícito, um desvio de finalidade para prejudicar as investigações, não dá para cravar, mas há uma possibilidade concreta de que o governo tenha intenção de pressionar o ministro André Mendonça", disse Marsiglia.

A medida foi oficializada um dia antes da ação contra o líder de Lula no Senado, Jaques Wagner, mas veio a público nesta sexta-feira (19). A Gazeta do Povo procurou o Ministério da Justiça e Segurança Pública para esclarecimentos e aguarda sua resposta.

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Delegados que “fingem trabalhar”

Em abril, o presidente Lula já havia se manifestado publicamente sobre a reconvocação de delegados, que estariam, segundo suas palavras, “fingindo trabalhar”.

“Só vão ficar fora aqueles que forem secretários de Estado. Mas aqueles agentes, ou delegados, que estão aí em outro lugar, fingindo que estão trabalhando e não estão trabalhando, todos vão ter que voltar, porque nós vamos derrotar o crime organizado neste país”, declarou ele na época.

Segundo a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), 53 delegados estavam cedidos a outros órgãos, onde “exercem funções estratégicas e de alta relevância para o Estado brasileiro”. A ADPF ainda disse que as ações contra o crime precisam de menos propaganda e mais ação concreta.

Em maio, a PF realizou a troca de um delegado da corporação que investigava o primogênito de Lula, o Lulinha. O delegado Guilherme Figueiredo Silva, responsável por apurar fraudes no INSS e autor do pedido de investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva, retornou a Minas Gerais, seu estado de origem, "a pedido" dele mesmo.

Ao jornal Estadão, o secretário-executivo do ministério, Ademar Borges, afirmou que o processo do regresso de delegados seria um “reforço de atividades” ligadas ao crime organizado. Iniciado em abril, estaria em pleno vigor agora em junho.

“O processo de retorno dos policiais federais, rodoviários federais e policiais penais — seguindo a diretriz presidencial amplamente divulgada — para reforço e valorização das atividades finalísticas e de combate ao crime organizado teve início no fim de abril e continua em curso. Foram enviados os 100 pedidos de retorno, alcançando mais de 50 órgãos da administração pública direta e indireta federal, estadual e municipal”, declarou o secretário-executivo ao jornal.

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