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Prisão de Bolsonaro

Maioria dos brasileiros dizem que Moraes agiu mal ao proibir visitas de Flávio a Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro
Pesquisa Datafolha aponta que 59% dos brasileiros discordam de decisão de Moraes contra Flávio Bolsonaro. (Foto: Sebastião Moreira/EFE)

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A maioria dos brasileiros considera que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agiu mal ao proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília, de acordo com uma nova pesquisa do Datafolha divulgada nesta quarta-feira (29).

O levantamento aponta que 59% dos entrevistados desaprovam a medida, enquanto que 36% avaliam que a decisão foi correta. A pesquisa mostra, ainda, que 59% dos eleitores defendem a permanência de Bolsonaro em prisão domiciliar, contra 35% que são favoráveis à retirada desse benefício. Outros 6% não souberam responder sobre o tema.

O Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios entre os dias 22 e 23 de julho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-01166/2026.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses após condenação do STF por supostamente liderar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele chegou a ficar detido na Superintendência da Polícia Federal no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecida como “Papudinha”, em Brasília, até ter concedido o benefício da prisão domiciliar humanitária devido ao seu estado de saúde.

A pesquisa indica também que 62% dos brasileiros concordam com a proibição de Bolsonaro utilizar redes sociais durante o cumprimento da prisão domiciliar. Já 35% entendem que ele deveria ter acesso às plataformas, enquanto 3% não souberam opinar.

Neste mês, Moraes determinou a suspensão por 90 dias das visitas de Flávio Bolsonaro ao pai e proibiu, por 30 dias, visitas dos demais familiares. A decisão também vetou contatos de natureza política até as eleições e impediu a divulgação de manifestos atribuídos ao ex-presidente.

A medida foi tomada após Flávio ler, em uma live no último dia 11, uma carta escrita por Bolsonaro chamando-o de seu “porta-voz” e que ele seria o candidato escolhido para representá-lo.

Na decisão, Moraes entendeu que o episódio violou a determinação judicial que impede Bolsonaro de se comunicar por meio das redes sociais, inclusive utilizando terceiros. O ministro afirmou que a manifestação pública de Flávio antes da leitura demonstrava que ambos tinham conhecimento de que a carta seria divulgada na internet.

Mesmo entre eleitores que declararam voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 2022, 35% afirmam que Moraes agiu mal ao impedir a visita de Flávio ao pai. Já entre os eleitores de Bolsonaro, 32% concordam que o ex-presidente não deveria utilizar redes sociais durante a prisão domiciliar, dentro das margens de erro de três e quatro pontos percentuais, respectivamente.

Apesar das novas restrições, advogados, médicos e fisioterapeutas continuam autorizados a entrar na residência onde Bolsonaro cumpre a pena. Flávio, embora esteja inscrito no processo como advogado do pai e anteriormente tivesse acesso livre ao imóvel, passou a ficar impedido de realizar visitas presenciais.

A defesa do ex-presidente recorreu da decisão e sustentou que as restrições extrapolam a suspensão dos direitos políticos, atingindo a liberdade de pensamento. Os advogados também argumentaram que a expressão “visitas com finalidade político-eleitoral” é genérica e não estabelece critérios objetivos para sua aplicação.

Flávio Bolsonaro criticou duramente a medida e classificou a decisão como “ilegal, desproporcional, covarde e cruel”, além de acusar Moraes de tentar interferir no processo eleitoral. Enquanto isso, Bolsonaro permanece em prisão domiciliar ao lado da esposa, Michelle Bolsonaro, da filha e de uma enteada, que não foram alcançadas pelas restrições impostas pelo STF.

A pesquisa foi realizada antes de o PL oficializar, em convenção realizada no sábado (25), a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. O ato foi marcado pela exibição de uma gravação feita por inteligência artificial de Bolsonaro apoiando o senador, o que gerou questionamentos na Justiça Eleitoral.

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