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Mangabeira Unger
Mangabeira Unger foi ministro de Lula entre os anos de 2007 e 2009 e se tornou um crítico do atual governo.| Foto: Fernando Bizerra Jr./EFE / arquivo

Conhecido como conselheiro e guru de Ciro Gomes, o filósofo e sociólogo Roberto Mangabeira Unger justificou sua saída do PDT, anunciada neste sábado (9), por discordar do alinhamento da legenda ao governo Lula. Em entrevista ao Estadão, Unger criticou também a Lula e a falta de um projeto para o Brasil.

“Qual é o projeto do governo Lula atual? É compor-se com o mercado financeiro, aceitando a ascendência do rentismo financeiro. Segundo, distribuir esmola aos pobres, o pobrismo. E, terceiro, vender soja, carne e minério de ferro. Esse é o projeto, ou o antiprojeto”, disse o intelectual ao jornal. Unger criticou o apoio irrestrito de partidos como o PDT, PSB e PCdoB ao governo Lula. Para Unger, a participação do passiva do PDT no governo seria a “abdicação de qualquer projeto que mantenha continuidade e coerência” com o que foi o projeto do partido.

"Em vez de tentar abrir os olhos do presidente Lula, tratemos de abrir os nossos próprios olhos”

Unger disse ainda que Lula parece estar “desinteressado do Brasil”. “Parece que é mais agradável ficar viajando pelo exterior, frequentando essas reuniões em que ele pronuncia discursos entediantes. Os outros chefes de Estado, que são homens sérios de poder, mal conseguem disfarçar o cansaço ao ouvi-lo”, destacou o filósofo. Para ele, a prioridade de Lula deveria ser deveria ser a “qualificação produtiva da capacitação”, mas o presidente prefere “ficar viajando pelo exterior e lendo discursos que são escritos para ele enumerando platitudes açucaradas como se estivesse se candidatando ao Prêmio Nobel da Paz ou a mais diplomas honoris causa, enquanto isso o Brasil afundando no primitivismo produtivo e educacional”.

Para o intelectual, diante da falta de ação dos partidos, cabe aos cidadãos trabalharem para mudar o país. “Os partidos deveriam se posicionar em relação a isso, mas nós não podemos esperar agora da elite política. Se os políticos não resistirem a essa situação, nós, os cidadãos, temos que falar pelo Brasil”.

Em outro trecho da entrevista, Unger disse ainda não esperar que Lula mude de atitude. “Nós não podemos esperar uma conversão do presidente Lula porque é sempre muito mais difícil mudar uma pessoa do que mudar um país. Então, em vez de tentar abrir os olhos do presidente Lula, tratemos de abrir os nossos próprios olhos”, disse ele.

Com uma longa trajetória na política nacional, Unger foi conselheiro de Leonel Brizola, fundador do PDT e ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Também é considerado um guru de Ciro Gomes, com quem participou das disputas em 1998 e em 2002, quando disputou contra Lula. Ele também foi ministro de Assuntos Estratégicos da Presidência da República durante o segundo mandato de Lula, em 2007, e no segundo mandato de Dilma Rousseff, em 2015. Hoje é professor de Direito da Universidade Harvard nos Estados Unidos.

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