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Parlamentares ligados ao governo Lula reagiram com críticas à decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. As manifestações classificaram a medida como uma interferência indevida na corporação e associaram a decisão à disputa eleitoral de 2026.
A reação mais contundente veio da bancada do PT na Câmara. Em manifestação divulgada pelo partido e assinada pelo líder deputado Pedro Uczai (RS), os deputados petistas repudiaram a decisão de Mendonça e defenderam a permanência de Andrei Rodrigues no comando da corporação.
"Trata-se de uma intervenção grave e ilegal na autonomia administrativa e funcional da Polícia Federal, que invade atribuições do Poder Executivo com fins político-eleitorais", diz a nota.
Os petistas afirmam ainda que afastar a direção da PF no contexto do escândalo do Banco Master beneficiaria o campo político da família Bolsonaro. "Não pode passar despercebido que André Mendonça foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro e que sua decisão é celebrada justamente pelos setores políticos que vêm atacando a Polícia Federal e tentando desacreditar investigações que atingem o bolsonarismo", continua o comunicado.
Em publicação nas redes sociais, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) reforçou as acusações contra Mendonça e afirmou que ele estaria tentando interferir no processo eleitoral. Segundo o petista, a decisão teria como objetivo beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.
Para a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), retirar o diretor-geral do cargo equivaleria a “proteger e premiar os criminosos do Master, do INSS, da Carbono Oculto e os traficantes de drogas que a PF combateu como nunca no governo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A petista também questionou a condução das investigações sobre o Banco Master e defendeu que Mendonça determine a abertura do sigilo de todo o material relacionado ao caso, incluindo o que, segundo ela, já teria sido descoberto sobre supostas ligações de Flávio Bolsonaro e de sua família com Vorcaro.
No mesmo sentido, o deputado Rogério Corrêa (PT-MG) lembrou que Mendonça já foi ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) e ministro da Justiça e afirmou que ele teria agido para proteger Flávio. Na publicação feita no X, o deputado sugeriu que a decisão de Mendonça levantaria suspeitas sobre os objetivos da medida.
A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) também se manifestou em publicação nas redes sociais e classificou como “arbitrária” a decisão de Mendonça. Segundo ela, o afastamento do diretor-geral e de integrantes da cúpula da PF teria como objetivo impedir o avanço das investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Sâmia afirmou ainda que Mendonça deveria ser considerado suspeito na investigação por ter tido, segundo ela, um encontro privado com Vorcaro meses antes da prisão do banqueiro. Para a deputada, o episódio levantaria dúvidas sobre a atuação do ministro no caso.
O afastamento de Rodrigues foi determinado nesta terça-feira (8) por Mendonça, que também retirou preventivamente do cargo o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada. O ministro justificou a medida pela gravidade dos indícios de monitoramento ilegal e pela utilização de relatórios de inteligência da corporação em uma investigação contra ele.



