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Para entender

PF afirma que Daniel Vorcaro bancou viagens de luxo para servidores do BC

Sede do Banco Central (BC), em Brasília: servidores do órgão teriam atuado em favor de interesses do Banco Master, que deveriam fiscalizar, em troca de vantagens indevidas pagas por Vorcaro (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Relatórios da Polícia Federal revelam que ex-servidores do Banco Central atuaram como consultores informais de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Em troca de informações sigilosas e favorecimentos em fiscalizações, os profissionais receberiam propinas disfarçadas e viagens para a Disney e Paris. O esquema foi detalhado após o STF derrubar o sigilo das investigações nesta sexta-feira.

Como funcionava o esquema de consultoria informal entre os servidores e o banqueiro?

Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, que ocupavam cargos de chefia na supervisão bancária do Banco Central, utilizavam suas posições para orientar Daniel Vorcaro em negócios de seu interesse. Eles revisavam documentos que seriam enviados ao próprio BC e ao Fundo Garantidor de Créditos, antecipavam movimentos da fiscalização e davam dicas estratégicas para aquisições de outras instituições financeiras. Para dificultar o rastreio das conversas, os envolvidos evitavam registrar detalhes por escrito em aplicativos, preferindo chamadas de voz para tratar de temas sensíveis e ilegais.

Quais foram as vantagens indevidas recebidas pelos ex-servidores do Banco Central?

A investigação aponta que Vorcaro custeou despesas luxuosas para os servidores e seus familiares. Paulo Sérgio teria recebido suporte completo para uma viagem à Disney e Universal, em Orlando, incluindo a contratação de guias. Já para Belline, o banqueiro teria organizado e pago roteiros gastronômicos em restaurantes de alto padrão em Paris, como o Laperouse, com orientações explícitas para que fossem servidos os melhores vinhos e comidas. Além das viagens, a PF identificou repasses financeiros que somam milhões de reais, operacionalizados por meio de contratos de fachada.

De que maneira o dinheiro das propinas era camuflado para evitar suspeitas?

Para esconder a origem ilícita dos valores, o grupo utilizava contratos fictícios e empresas de terceiros. Em um dos casos, Belline Santana teria recebido R$ 2 milhões sob a justificativa de realizar um estudo sobre jovens no mercado financeiro, serviço que a polícia considera inexistente. Outra estratégia envolvia a compra e venda de uma propriedade rural por R$ 4,8 milhões, em uma operação de fachada para lavagem de dinheiro. Planilhas apreendidas também listavam pagamentos mensais de R$ 500 mil, registrados como despesas fixas para garantir a manutenção dos favores no órgão regulador.

O que alegam as defesas dos envolvidos diante das acusações da Polícia Federal?

A defesa de Belline Santana nega qualquer irregularidade, afirmando que ele sempre atuou dentro das normas do Banco Central e que as acusações são baseadas em recortes descontextualizados. Os advogados de Paulo Sérgio Souza sustentam que o contato com o banqueiro era estritamente institucional e que foi o próprio servidor quem identificou problemas graves no Banco Master, sugerindo inclusive sua liquidação. Daniel Vorcaro, por sua vez, nega ter concedido vantagens ilícitas. Todos os citados confiam que a análise integral do inquérito irá demonstrar a improcedência das suspeitas levantadas pela PF.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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