
A Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Transparência nesta segunda-feira (14), tendo como alvo o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) e sua esposa. Eles são investigados por supostamente comercializar acesso e influência junto a ministros de tribunais superiores em Brasília e São Paulo. A suspeita é de que o parlamentar usava o cargo para lucrar com decisões judiciais favoráveis.
Como funcionava o suposto esquema de venda de influência?
De acordo com as investigações da Polícia Federal, o deputado Cezinha de Madureira utilizava o prestígio e o trânsito institucional de seu cargo para criar a percepção de que poderia interferir em decisões de ministros do STF, STJ e TSE. Embora não seja advogado, ele se comprometia a fazer pedidos diretos aos julgadores em benefício de clientes. Esses clientes eram captados por uma assessora da Câmara e encaminhados à esposa do deputado, que formalizava o negócio por meio de contratos de honorários ou cessões de crédito, camuflando o pagamento pela influência política exercida.
Quais valores estavam envolvidos nas negociações investigadas?
As provas analisadas pelos investigadores revelam cifras expressivas condicionadas ao êxito dos processos. Em um dos casos citados na decisão judicial, teria sido negociado o pagamento de R$ 500 mil por uma decisão favorável específica. Em outra situação ainda mais grave, o valor chegava a R$ 2 milhões, montante que seria pago caso houvesse a revogação de uma prisão preventiva. Além disso, a PF destacou a apreensão recente de R$ 510 mil em dinheiro vivo com a esposa do parlamentar no Aeroporto de Congonhas, o que reforça a suspeita de movimentações financeiras por fora do sistema bancário.
Existem magistrados ou ministros sob investigação neste caso?
É fundamental esclarecer que, embora o deputado citasse nomes de ministros como Kássio Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes em suas conversas com terceiros, nenhum integrante do Poder Judiciário é alvo desta investigação. O ministro Flávio Dino, relator do caso no STF, ressaltou em sua decisão que não existem indícios de que magistrados tenham solicitado ou recebido qualquer vantagem indevida. O foco da apuração é exclusivamente a conduta de quem ofereceu e precificou a suposta influência, prática conhecida juridicamente como exploração de prestígio ou tráfico de influência.
O que diz a defesa do deputado Cezinha de Madureira sobre as acusações?
A defesa de Cezinha de Madureira afirmou, em nota oficial, que o parlamentar está totalmente à disposição das autoridades e confia plenamente na Justiça. Os advogados alegam que a conduta do deputado sempre foi ilibada e que todos os fatos serão esclarecidos ao longo do processo, demonstrando a inexistência de irregularidades. Além disso, a defesa sugeriu que a operação pode ter motivações políticas ou eleitorais, defendendo que medidas desse tipo deveriam ocorrer com maior distanciamento do cenário político atual, conforme orientam decisões anteriores do Supremo Tribunal Federal.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





