
Uma investigação da Polícia Federal revelou que aliados de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tentaram articular a venda de 1,2 milhão de frascos de canabidiol ao Ministério da Saúde por R$ 626 milhões. O grupo pretendia aproveitar ordens judiciais que obrigam a União a fornecer o produto, mesmo sem ele estar na lista oficial do SUS, levantando suspeitas de tráfico de influência e lobby ilegal.
Como funcionaria o plano para vender o canabidiol ao governo?
O grupo planejava explorar a 'judicialização da saúde', que ocorre quando a Justiça obriga o governo a comprar remédios que não estão na lista comum do SUS. Embora o canabidiol não seja fornecido regularmente pela rede pública, o Ministério da Saúde frequentemente recebe ordens judiciais para comprá-lo em casos de autismo ou depressão. A proposta encontrada pela Polícia Federal sugeria que o ministério economizaria ao comprar um estoque gigante de 1,2 milhão de frascos de uma só vez para atender a essas futuras derrotas na Justiça, totalizando um contrato de R$ 626 milhões.
Quem são os principais nomes investigados nesse suposto esquema?
A investigação foca em Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, por suspeita de tráfico de influência. Ele teria agido junto com a empresária Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo, conhecido como 'Careca do INSS'. Mensagens mostram que o grupo interagia com pessoas próximas ao poder, como o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), e o ex-secretário-executivo da Saúde, Swedenberger Barbosa. Há inclusive mensagens indicando que Roberta teria comprado joias para Marcola, o que reforça as suspeitas de uma rede de lobby ilegal no governo.
Qual foi o papel de uma viagem a Portugal nessas negociações?
Em novembro de 2024, Lulinha viajou para Portugal com as despesas custeadas pelo 'Careca do INSS'. Na mesma ocasião, o empresário tratou de um projeto industrial para produzir cannabis medicinal na região. A defesa de Lulinha confirmou a viagem, mas negou qualquer finalidade comercial ilícita. Segundo os advogados, o interesse dele era puramente pessoal e por curiosidade, já que um familiar faz uso terapêutico da substância. Roberta Luchsinger também alegou que a motivação foi apenas o tratamento médico desse parente, negando tentativas de negociar contratos com o governo federal.
O que dizem os envolvidos e o Ministério da Saúde sobre o caso?
O Ministério da Saúde negou qualquer possibilidade de contratar o canabidiol, reforçando que o produto não está incorporado ao SUS e que nunca houve discussão para sua oferta ampla na rede pública. Já as defesas de Lulinha e Roberta negam qualquer irregularidade ou vínculo empresarial entre eles. Os advogados criticam a investigação, classificando-a como uma tentativa de perseguição política, e afirmam que a minuta do contrato não teve nenhum andamento prático dentro da pasta da Saúde. Roberta também sustenta que os pagamentos recebidos de Camilo referem-se a consultorias legais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





