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Rodrigo Constantino

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Brasileiro terá de decidir se quer manter consórcio Lula-STF no poder

Moraes Lula
Lula tenta se descolar de Moraes ao mesmo tempo em que defende o ministro do STF como salvador da democracia. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

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O Brasil está a menos de três semanas do primeiro turno e o que deveria ser um debate sobre economia, segurança e o tamanho do Estado virou um circo institucional protagonizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A crise que tem Alexandre de Moraes no epicentro, alimentada pelas mensagens de Daniel Vorcaro e pelos contatos com filhos de ministros, capturou a campanha. Enquanto candidatos deveriam falar de proposta, o país assiste a uma Corte que há tempos deixou de ser o Poder Judiciário para virar protagonista político, relator, investigador e, quando convém, juiz da própria conduta.

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A sessão que foi um “show de horrores” expôs o que a Gazeta do Povo e parte da imprensa mais honesta já denunciava: degradação institucional total. Pedido de vista, discussão interminável sobre relatoria, ministros se acusando de viés eleitoral e o presidente do STF tentando administrar o fogo que o próprio tribunal ateou. Chicana, em uma palavra.

A Transparência Internacional falou em degradação. O Congresso, tarde demais, volta a falar em mandato para ministro, fim de decisão monocrática e regras para relatórios de inteligência. Depois de anos de inquéritos eternos e poderes concentrados, descobriram que o problema existe. Antes tarde do que nunca!

O eleitor que lê Gazeta do Povo ou simplesmente observa a realidade já percebeu a verdade: a ameaça está na fusão entre aparelhamento petista, seletividade judicial e avanço do crime

Lula tenta se descolar de Moraes – “não fui eu quem indicou” – ao mesmo tempo em que defende o ministro do STF como salvador da democracia e pede voto para José Dirceu como “reparação histórica”. A mesma turma que transformou o Mensalão em detalhe agora vende o retorno do cassado como justiça. Haja inversão!

A campanha petista tenta associar Flávio Bolsonaro a Vorcaro, ignorando as impressões digitais lulistas em todas as cenas do crime. O método é velho: quando o escândalo chega perto demais, muda-se o foco para o adversário. O governo ainda prepara mais um pacote para “aliviar o endividamento das famílias”, clássico de quem gasta primeiro e depois descobre que o brasileiro está no vermelho.

As pesquisas mostram o que o eleitor já sente na pele. A última pesquisa Atlas/Intel (Registro TSE BR-06221/2026) aponta Lula com 44,1% no primeiro turno e Flávio com 41,7%; no segundo turno o senador aparece com 47,2% contra 46,8% do petista. O presidente é desaprovado por 53,6%. Empate técnico no segundo turno e rejeição alta não são acaso. Depois de anos de polarização, o eleitor vê o mesmo filme: Estado inchado, crime organizado avançando e um Judiciário que escolhe seus inimigos. Flávio herda o sobrenome e o ódio do sistema; Lula herda o desgaste de quem já governou demais, e com péssimos resultados.

Enquanto o Planalto fala em soberania e contesta acusações de Donald Trump sobre o Brasil ter virado rota da cocaína, a polícia descobre que o PCC controlaria 12 das 22 empresas de ônibus de São Paulo. O ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, é citado como operador. Operação com 16 mandados de prisão. O crime organizado não espera a eleição. Ele já administra pedaço do transporte público da maior cidade do país. Segurança pública continua sendo tratado como discurso de campanha, não como prioridade de Estado.

No INSS, buscas contra senador e prisão do número dois da Previdência. No Ministério da Cultura, o TCU aponta R$ 22 bilhões em contas sem fiscalização decente. O padrão se repete: dinheiro público, intermediários, políticos e, agora, até ramificações que chegam perto do Supremo. O Banco Master virou o fio que puxa o tapete de muita gente que se julgava intocável.

O Congresso discute reação ao STF só agora, em ano eleitoral, depois de ter convivido confortavelmente com o ativismo judicial quando o alvo era o lado certo. A oposição vê na crise uma oportunidade; o Centrão calcula votos. Reforma do Judiciário virou pauta porque o desgaste ficou grande demais para esconder. Mandato para ministro, regras claras e menos poder monocrático não são radicalismo. São o mínimo para uma República que ainda pretenda ter Três Poderes, e não um tribunal que legisla, executa e julga. E rouba.

A imprensa tradicional – Folha, Globo e afiliados – vai insistir que qualquer crítica ao Supremo é ameaça à democracia? O eleitor que lê Gazeta do Povo ou simplesmente observa a realidade já percebeu o contrário: a ameaça está na fusão entre aparelhamento petista, seletividade judicial e avanço do crime. Em outubro, o brasileiro decide se quer mais do mesmo consórcio ou se ainda acredita que instituições servem ao cidadão, não o contrário. O relógio corre. E o circo, por enquanto, continua.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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