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Jogar mortos na conta de quem questiona isolamento é oportunismo ridículo
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Temos visto um jogo muito sujo desde o começo nesse "debate" sobre o coronavírus. A turma do #fiquememcasa não quer debater seriamente prós e contras, custo de oportunidade e riscos de um isolamento social drástico; querem apenas bancar os bonzinhos e demonizar quem ousa questionar sua estratégia.

Quem quer que pergunte sobre modelos científicos embasando medidas tão draconianas e autoritárias é logo tachado de assassino de velhinhos que quer só defender interesses de "empresários gananciosos". Justo os que enchem a boca para falar em nome da ciência se recusam a apresentar os tais modelos.

Além disso, nem querem saber do estrago econômico causado pela paralisação das atividades. Isso é papo de quem não liga para "vidas humanas", repetem. Eles elegeram o ministro Mandetta como o grande representante do bom senso, e Bolsonaro como uma espécie de "Jim Jones tupiniquim" (sim, Merval Pereira, colunista do GLOBO, chegou a comparar o presidente com o líder da seita que cometeu suicídio coletivo com ingestão de veneno, incluindo crianças).

"Sabemos também, desde o início, quando fizemos as projeções, que a primeira quinzena de abril, seria a quinzena que aumentaríamos [os casos e mortes] e que os meses de maio e junho seriam os meses de maior estresse para o nosso sistema de saúde", disse o ministro Mandetta em sua entrevista ao Fantástico. Então por que falaram em isolamento de apenas 15 dias?! Por que não defenderam desde o começo o que consta no relatório da própria OMS, que para "achatar a curva" e efetivamente obter resultados favoráveis o isolamento teria de ser de MESES?

Talvez porque, assim, o debate sério e adulto sobre custos de oportunidade teria se concretizado. Quem acha que o Brasil, com tantos pobres, pode se dar ao luxo de ficar praticamente parado por um trimestre inteiro? Pois é. Os que repetem simplesmente o slogan vazio "fiquem em casa" não querem conversar de verdade sobre o assunto. Mas querem, de forma mórbida e oportunista, jogar no colo daqueles que questionam a medida mortes que aconteceriam de qualquer jeito.

Sim, pois ninguém está afirmando que o isolamento serve para evitar o coronavírus. Mesmo os que tentam iludir os leigos sabem que a ideia é "achatar a curva" para, nesse período, preparar-se melhor para os enfermos, com construção de mais leitos. Não há esperança de vacina nessa epidemia, pois o ciclo de testes leva meses, mais de ano.

Ou seja, quem repete "fiquem em casa" sabe, no fundo, que isso teria de ser somente para uma fase de preparo melhor para atender os doentes. Daí ser tão cafajeste essa contagem bizarra de defuntos que são colocados na conta dos "negacionistas". E são os mesmos que alegam que o desastroso impacto econômico não será culpa das medidas dos governos, mas sim do covid-19.

O triste fato é que muitos jornalistas agem como militantes e estão tirando casquinha política da crise, para atacar o presidente. Eis o que a mais militante desses "jornalistas" escreveu hoje:

São tantos erros que é difícil até saber por onde começar... Vera politiza a questão, lembra de Trump, mas então por que não cita logo o governador de Nova York, que concentra quase 30% dos casos no país, o DEMOCRATA Cuomo? Alexandre Borges alfinetou gente que faz essa distorção:

Além disso, os Estados Unidos possuem o maior número em termos ABSOLUTOS, para uma população de 330 milhões, e só porque a ditadura da China MENTE sobre seus casos. Uma jornalista que aceita passivamente os dados oficiais chineses não é séria.

Outro ponto: Vera diz que os especialistas (quais? são sempre os que ela escolhe seletivamente por concordarem com ela, e vale até youtuber!) sabiam que o isolamento seria maior. Então por que ela e sua turma repetem que é para ficar em casa 15 dias, e depois ver no que vai dar? Eu mesmo apontei que não fazia o menor sentido e que, para surtir algum efeito, teria de ser de meses! Mas admitir isso, repito, forçaria um debate sério sobre custos e benefícios, o que essa gente não quer.

O grau de militância é tanto que a mesma "jornalista" basicamente culpa o atual governo pela situação dos índios infectados por coronavírus:

Antes de Bolsonaro, como sabemos, os índios viviam felizes, em paz, sem germes, numa espécie de Avatar onde as girafas circulavam livremente pelas florestas amazônicas sem incêndios...

Por fim, houve isolamento em Nova York, ou seja, o recorde de casos foi COM isolamento, apesar de Trump esperar seu relaxamento para após a Páscoa. Mas militante é militante, não é mesmo? As mortes são causadas pelo vírus chinês, não por quem questiona o isolamento. Elas ocorrem apesar do isolamento. E em algum momento a maioria terá contato com o vírus. O isolamento visa apenas a ganhar tempo, não impedir esse contato. Logo, qual o sentido de culpar os outros pelas mortes que dificilmente serão evitadas?

Não é exatamente o caso de todos que estão morrendo terem tal destino por falta de leito, certo? Morrem de complicações por conta de um vírus novo e sem cura. Eis o problema! Se fosse o caso de milhares morrendo porque não há respirador suficiente, os abutres até poderiam forçar a barra para "culpar" os que rejeitam o isolamento quase total. Mas o fato de basicamente culparem Bolsonaro por cada morte inevitável só expõe seu oportunismo tosco e bizarro. Guilherme Fiuza mandou um recado a essa turma:

A ficha começa a cair para aqueles que vinham atacando os mais céticos. Foi o caso de Paulo Cruz, colunista da Gazeta:

Numa pandemia a conta chega. Nisso a militante tem razão...

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