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Para entender

Como uma penitenciária histórica vai virar complexo cultural em Florianópolis?

Penitenciária foi construída em 1930 às margens da baía de Florianópolis (Foto: Eduardo Valente/Governo de SC)

O governo de Santa Catarina iniciou a derrubada dos muros da Penitenciária da Agronômica, em Florianópolis. O local, ocupado há quase um século pelo sistema prisional, dará lugar à Cidade da Cultura, um complexo de 173 mil metros quadrados voltado às artes, lazer, gastronomia e esportes.

O que será construído no lugar da antiga penitenciária?

O espaço será transformado na Cidade da Cultura. O projeto prevê um parque aberto à beira-mar com trilhas, um novo teatro de grande porte e a ampliação do Museu de Arte de Santa Catarina (Masc). Além disso, a área terá espaços para shows, festivais, equipamentos esportivos ao ar livre, cafés e restaurantes, integrando-se ao Centro Integrado de Cultura (CIC) já existente na região.

Como será financiada a obra e quem vai administrar o local?

A viabilização do projeto ocorrerá por meio de uma parceria público-privada (PPP). Nesse modelo, uma empresa parceira assume os custos de construção, reforma e manutenção do complexo em troca do direito de explorá-lo economicamente por um período de até 35 anos. O objetivo é garantir um padrão de qualidade elevado sem sobrecarregar os cofres públicos, mantendo o acesso gratuito às áreas abertas do parque.

Para onde irão os presos que estavam na unidade da Agronômica?

A desativação total da penitenciária depende da criação de novas vagas no sistema prisional do estado. O governo estadual planeja investir R$ 1,4 bilhão para gerar mais de 9,5 mil vagas e contratar novos policiais penais até 2028. Novas unidades e ampliações estão previstas em cidades como Joinville, Canoinhas, Chapecó e Blumenau, permitindo a transferência gradual dos detentos para estruturas mais modernas.

Por que a mudança é considerada estratégica para a cidade?

Urbanistas e gestores defendem que não faz sentido manter uma prisão superlotada em uma das áreas mais valorizadas da capital, cercada por órgãos públicos e prédios residenciais. Unidades modernas fora dos grandes centros urbanos permitem um monitoramento mais eficiente e espaços adequados para educação e trabalho dos detentos, o que facilita a ressocialização deles, algo difícil de implementar em prédios centenários.

Quais são os principais riscos apontados por especialistas sobre o projeto?

Embora a transformação seja vista como positiva, especialistas alertam para o risco de gentrificação. Esse termo descreve o processo em que uma área se torna tão cara que os moradores antigos e o comércio local não conseguem mais pagar as taxas e o custo de vida, sendo forçados a sair. O desafio será criar um espaço que atraia turistas de alto padrão, mas que não se torne um enclave isolado, mantendo o diálogo com a vizinhança.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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