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Pais devem dar exemplo na prevenção

A médica Cristina Rodrigues da Cruz, professora de Pediatria da UFPR e presidente do Departa­mento de Infectologia da Socie­dade Paranaense de Pediatria, afirma ser fundamental que os pais, responsáveis e a escola continuem orientando as crianças sobre a prevenção contra a gripe após o inverno. E, nesse papel, aponta, o comportamento dos pais em relação à prevenção pesa muito. "A criança não tem esses cuidados incutidos na cabeça. Ela segue o exemplo do adulto. E quando os pais tomam os cuidados e passam orientações, a criança fica sensibilizada e segue os cuidados muito bem", afirma a médica.

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Os cuidados da população com a gripe A (H1N1) – conhecida como gripe suína – levaram a um efeito colateral inusitado. Dados da prefeitura de Curitiba mostram que casos de doenças transmissíveis, como meningite, diarreia e conjuntivite diminuíram significativamente em razão de as pessoas terem lavado mais as mãos e tomado outras atitudes preventivas.

No entanto, devido à queda do número de casos de gripe, por causa do aumento da temperatura, muitas pessoas começam a se descuidar da prevenção. Médicos infectologistas e o secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin, porém, pedem para que a população mantenha os cuidados.

"Os casos caíram, mas a gripe não desapareceu. O vírus vai continuar circulando nos dias quentes. Por isso não podemos de forma alguma baixar a guarda. Todos os cuidados devem permanecer", pediu o secretário Gilberto Martin ao apresentar o balanço da doença na última terça-feira.

O médico José Luiz Andrade Neto, professor de Infectologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Uni­ver­sidade Católica do Paraná (PUCPR), faz ainda outra ressalva. Ele explica que as pessoas que viajarem aos países do hemisfério norte daqui por diante, onde as temperaturas já estão caindo, estão mais suscetíveis à doença. "Na volta, basta abraçar um familiar ou um amigo para transmitir a gripe", ressalta o médico.

Outras doenças

Andrade ainda enfatiza que os cuidados básicos – como higienizar as mãos constantemente, não levar as mãos aos olhos e à boca sem higienizá-las antes ou manter portas e janelas abertas para a circulação do ar – não geram resultados apenas em relação à gripe. "Nós, da área médica, insistimos para que as pessoas mantenham esses hábitos porque eles também impedem uma série de outras doenças", reforça o infectologista.

Números da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba comprovam isso. Do começo do ano até metade de setembro de 2008, a rede municipal registrou 22.229 casos de conjuntivite. No mesmo período de 2009, os registros caíram para 18.697. Já em relação à diarreia, foram 50.277 casos em 2008 contra 42.273 em 2009, também no mesmo período. De acordo com a secretaria, as duas doenças registraram a maior queda precisamente em julho, quando a população reforçou os cuidados com a gripe: redução de 40% de conjuntivite e de 50% de diarreia, aproximadamente. "Os números comprovam que este é o momento de a população adquirir de forma definitiva esses hábitos de higiene pessoal", ressalta o médico Leonar­do Cavadas Soares, coordenador da Vigilância Epidemioló­gica de Curitiba.

Descuido

Mas apesar dos avisos e da comprovação, o que se percebe é que, após o ápice da doença nos meses de julho e agosto, quando 170 pessoas morreram de gripe A (H1N1) no estado, agora há um certo relaxamento. Um dos indicativos é a queda no consumo de álcool gel.

Na UFPR, que não parou de disponibilizar o produto à comunidade acadêmica, por exemplo, o consumo nos 350 dispensadores espalhados pelos quatro câmpus de Curitiba caiu aproximadamente pela metade nas últimas semanas. Quando as aulas voltaram em 24 de agosto – com 25 dias de atraso para prevenir a epidemia – era preciso repor diariamente cada aparelho. Em alguns, a reposição precisava ser feita inclusive duas ou mais vezes no mesmo dia. Hoje o conteúdo de cada dispensador, que comporta um litro de álcool, é reposto em média a cada três ou quatro dias. "Antes tinha até fila nos equipamentos. Agora o pessoal já não está dando mais tanta atenção", afirma o assessor da pró-reitoria de Administração, Clóvis Borges.

Nas escolas, o cenário é o mesmo. No Colégio Opet, que tem 1,2 mil alunos do ensino infantil ao médio e médio técnico, professores e funcionários estão tendo de reforçar com os alunos a importância da manutenção dos cuidados. "Como a mídia parou um pouco de falar da gripe, todas aquelas orientações que enfatizamos antes estão sendo deixadas um pouco de lado. Por isso estamos sempre fazendo esse trabalho de retomada", explica a diretora-geral de educação básica do colégio, Tania Setti.

Nos ônibus, outro exemplo. A precaução de manter as janelas abertas para que o ar circule já não é mais tão forte. O que faz com que o cobrador da linha Solitude, Amarildo Borges, 42 anos, ouça reclamações dos passageiros quando abre as janelas. "Parece que as pessoas se esqueceram de que a gripe ainda está aí. Todo mundo anda com a janela fechada", diz o cobrador, que justamente por causa da gripe A (H1N1) quase perdeu a mãe. "Ela ficou dez dias internada, seis na UTI. Eu digo que minha mãe quase morreu por causa dessa gripe e mesmo assim as pessoas acham ruim quando abro as janelas", diz.

A comerciante Solange Dis­senha, 44 anos, também tem presenciado discussão na linha que a traz de Mandirituba, na região metropolitana de Curitiba. "Muita gente já está achando que é bobagem abrir a janela, que ninguém mais vai ficar doente. Aí brigam com quem abre, sem se preocupar com o risco de as pessoas ficarem doentes respirando o mesmo ar", argumenta.

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