| Átila Alberti/Tribuna do Paraná
| Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

Irmãos levam R$ 2 mi em joias no Batel

Dois irmãos foram presos ontem com R$ 2 milhões em joias roubadas de residências do Batel, em Curitiba. Foram apreendidas dezenas de peças em ouro e brilhantes, como brincos, pulseiras, braceletes, anéis e relógios. Elias de Oliveira, 32 anos, e Adriano de Oliveira, 36 anos, mantinham as joias em uma casa luxuosa do Bairro Alto, adquirida pela dupla por meio de furtos anteriores. Eles vinham sendo investigada há três meses. "Estima-se que eles tenham praticados no mínimo dez atos criminosos em residências do Batel e algumas do Centro", diz o delegado Rodrigo Souza, da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba.

Policiais abordaram Elias no Bairro Alto. Ele apresentou documentos falsos, mas foi descoberto e levado à delegacia. Na casa do Bairro Alto, a polícia encontrou Adriano. A polícia tenta agora encontrar os receptadores dos bens furtados e investiga a participação de vigilantes nos roubos. As vítimas serão chamadas para fazer o reconhecimento das joias.

Mudança de hábito

Vítima precisa começar a fazer BO, diz delegado

Chefe da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) de Curitiba, Edward Ferraz diz que a população precisa mudar a cultura de não registrar boletim de ocorrência. As informações levadas à polícia colaboram com as investigações e evitam novos roubos. "Ontem [anteontem] atendi uma mulher que havia sido roubada pela sétima vez, mas apenas agora veio registrar", diz. Segundo ele, a falta de informações sobre esses crimes e a baixa qualidade dos dados levados pelas vítimas à delegacia são obstáculos para as investigações. Ferraz diz que há um plano traçado pelas agências de inteligência das polícias e pela Secretaria da Segurança Pública para redução de crimes contra o patrimônio. Porta-voz da PM, o major Adonis Furuushi explica que a prioridade sempre será combater os crimes contra a vida, mas a polícia tem trabalhos específicos contra roubo e furto. Furuushi disse que, além do aumento de efetivo e de viaturas, a polícia melhorou a qualidade dos equipamentos, como a implantação dos módulos móveis. O oficial relatou ainda que a polícia tenta estar presente na maior parte das áreas da cidade, mas que prioriza os "polígonos vermelhos", locais onde há mais registros de crime.

Homicídios disparam em Curitiba e crescem 15% em relação a 2013

Dados divulgados pela Sesp com três meses de atraso e depois das eleições comparam janeiro a setembro deste ano com o mesmo período do ano passado.

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Curitiba registrou 22.594 roubos entre janeiro e setembro deste ano, média de 83 por dia. O índice é 15,9% maior do que o mesmo período em 2013. Os dados foram divulgados com atraso na quarta-feira pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), que se compromete a entregar as estatísticas sempre até o fechamento do mês seguinte ao trimestre imediatamente anterior. A pasta publicou a estatística do segundo e terceiro trimestre de uma vez em razão do atraso.

INFOGRÁFICO: Veja a evolução dos roubos em Curitiba

O roubo difere do furto porque, ao contrário deste, o primeiro implica em contato ou uso de violência contra a vítima. Assim, a divulgação desses dados mostrou um segundo revés nos índices da segurança pública de Curitiba. Assim como os roubos apresentados nesta semana, houve um aumento de 15% também nas estatísticas de homicídios na capital no começo de outubro, conforme mostrado pela Gazeta do Povo..

A dobradinha negativa da segurança pública revela um novo quadro para Curitiba em 2014, com dados mais preocupantes. No comparativo de homicídios e roubos de 2012 a 2013, a capital acompanhava a tendência nacional, com registros de queda de 11% na taxa de assassinatos e aumento de 4,8% na de assaltos.

Para o ex-secretário nacional da Segurança Pública, coronel reformado paulista José Vicente da Silva, os dados evidenciam uma necessidade de ajustes no trabalho desenvolvido atualmente. Segundo ele, é preciso montar um plano específico para combater e prevenir roubos em Curitiba e no restante do estado.

"A polícia precisa sempre de mais gestão, gerenciamento e cobrança. Um dos fatores mais decisivos para redução da violência em Nova York era a cobrança semanal do chefe da segurança pública com os policiais que trabalham diretamente nas ruas", ressalta.

Ele sugeriu ainda que os distritos policiais dos bairros (há 13 em Curitiba) façam as investigações de forma prioritária contra os pequenos roubos, mesmo sem autoria conhecida. Pelo modelo vigente na Polícia Civil, os policiais civis dos distritos investigam prioritariamente roubos com autoria conhecida. Quando não há qualquer informação sobre quem é o ladrão, o caso é encaminhado para a unidade especializada, a Delegacia de Furtos e Roubos (DFR).

"Esses crimes costumam ter relação com autores que conhecem o bairro, a rotina dos moradores e quem tem mais informações sobre as mesmas coisas é o policial do distrito, que tem informantes mais próximos, dados mais locais", comenta.

Tecnologia eleva o roubo de carro

Luan Galani

O roubo de veículos subiu 18,93% neste ano em Curitiba, com o sumiço de 474 carros a mais nas estatísticas da Secretaria de Segurança Pú­blica, se comparado a 2013. Para o delegado Cassiano Aufieiro, da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, a tecnologia de segurança dos carros, com botões que acionam a partida, travas especiais e chaves codificadas, tem dificultado o furto. "Agora os marginais só conseguem capturar os carros por meio do roubo, mediante violência e ameaça. É o principal motivo que tem feito os roubos aumentarem."

A polícia tem intensificado as patrulhas. "Na semana passada, em conjunto com a Polícia Militar, prendemos de 5 a 7 assaltantes em flagrante. Nessa semana, deflagramos a Operação Nova Era e conseguimos deter 9 marginais", diz Aufieiro. Já a taxa de recuperação de veículos caiu 4,72%. De janeiro a setembro, 154 carros deixaram de ser recuperados, na comparação com 2013. As quadrilhas especializadas têm conseguido burlar os rastreadores dos veículos com aparelhos que inibem a transmissão de sinal.

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