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Um vídeo do diretor-geral da Faculdade de Direito de Vitória (FDV), Antônio Abikair, em reação ao resultado do segundo turno das eleições de 2026, causou reações de políticos e entidades. Após a repercussão, ele decidiu tornar fechado seu perfil no Instagram, indisponibilizando a manifestação.
No conteúdo, Abikair criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de estender o horário de votação por mais duas horas. Para o empresário e advogado, a extensão foi inconstitucional e realizada para permitir uma "burla às eleições". Ele disse considerar "impossível" a vitória do presidente Lula (PT) diante dos resultados do primeiro turno, que terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente.
Flávio obteve 56.104.503 votos no primeiro turno das eleições. No segundo, angariou mais 3.721.538, chegando a 59.826.041 votos. Lula, por sua vez, terminou o primeiro turno com 53.879.538 votos e somou outros 10.376.694 no segundo, chegando a 64.256.232 votos.
Foi a primeira vez desde a redemocratização que um vice-líder no primeiro turno virou e venceu a disputa ao Planalto no segundo, mas o desempenho é o sexto no ranking de obtenção de votos intraturnos. A liderança pertence ao próprio Lula, que nas eleições de 1989, obteve 19,4 milhões de votos entre os turnos, mas terminou derrotado por Fernando Collor. A abstenção no segundo turno foi a menor em 20 anos, atingindo 19,22%, 3 milhões de eleitores a mais do que no primeiro turno.
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Críticas à causa LGBT
O Centro Acadêmico Roberto Lyra Filho, ligado à Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), emitiu uma nota de repúdio às falas e afirmou que "ataques à democracia não podem ficar impunes". A nota também criticou o trecho em que Abikair fala sobre a população LGBT. Nele, o empresário pede aos professores para "não pregarem esse tipo de aberração".
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) acionou o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF), pedindo tanto apurações por transfobia quanto por supostos crimes contra a democracia. A Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) disse que as declarações são "ofensivas à dignidade e aos direitos da população LGBTQIAPN+".
A Defensoria Pública da União (DPU) enviou um ofício aocobrando explicações em 15 dias sobre o ponto em que Abikair diz que "a política de direitos sociais criou uma geração de párias sociais, que são aqueles dependentes dos programas sociais". Para o defensor público Frederico Soares, a fala favorece situações de constrangimento, discriminação e exclusão.
Além das reações institucionais, internautas lançaram um abaixo-assinado na plataforma Change.org cobrando esclarecimentos, posicionamento oficial da FDV, "garantia de liberdade ideológica e político-partidária no ambiente acadêmico" e "adoção de medidas institucionais de prevenção à discriminação e promoção do respeito à diversidade".
Após a repercussão, Abikair divulgou esclarecimentos. Ele não recuou, reafirmando suas críticas ao "poder instituído" e reprovando "todo tipo de interferência espúria". Sobre a população LGBT, disse que criticava, na verdade, a "constante tentativa de controle ideologizado da linguagem" e negou que tenha "qualquer problema no modo como cada um se autodenomina".
A Gazeta do Povo entrou em contato com Antônio Abikair. O espaço segue aberto para manifestação.




