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Número de colisões fatais com bicicletas está em curva ascendente

As colisões fatais envolvendo bicicletas são um sinal de alerta: foi o único tipo de acidente que teve aumento no número de casos em relação a 2012. "Do ponto de vista estatístico, não foi muito, já que subiu de 13 mortos no ano anterior para 14 em 2013. Mas o fato de as situações com motos estarem estagnadas e as de bicicleta terem crescido, enquanto todos os outros tipos tiveram redução, é um indicativo", comenta a epidemiologista Vera Lídia Alves de Oliveira, que analisa as mortes ocorridas no trânsito em Curitiba. Para ela, seja o que for que impactou os casos relacionados a pedestres e automóveis – que tiveram redução nos registros – não chegaram aos usuários de veículos de duas rodas.

Danilo Herek, coordenador de mobilidade urbana a Secretaria Municipal de Trânsito, suspeita que o aumento no número de mortes de ciclistas esteja relacionado à expansão no uso desse modal de transporte. Mesmo sem dados precisos, a estimativa da prefeitura é de que cresceu o número de ciclistas nas ruas. "Acredito que subiu de 30% a 40% nos últimos dois anos", diz. Ele conta que há concentração de acidentes na região sul da cidade, especialmente na CIC, na área industrial, em que a bicicleta é mais presente no trânsito.

Má condução

Além do desrespeito dos veículos motorizados em relação ao transporte mais frágil, são vários os casos de ciclistas flagrados na contramão, andando na calçada ou avançando o sinal vermelho. Ciente de que parte da responsabilidade é do poder público, a prefeitura, garante Herek, está buscando soluções para melhorias na infraestrutura.

O crescimento em ritmo acelerado da frota de motos – que já são 140 mil circulando na capital – também pode estar relacionado ao aumento de mortes de motociclistas. "Temos visto mais motonetas, de menor cilindrada. E esses condutores conseguem evitar mais facilmente uma blitz, o que complica a fiscalização", comenta Vera. Ela lembra que é nos casos envolvendo motos que a mortalidade masculina é maior. "Mas como está aumentando a quantidade de mulheres pilotando, também estão aparecendo mortes de mulheres", diz.

Sem contar com uma "lataria" para proteção, as pessoas que circulam no trânsito sobre duas rodas estão mais expostas a acidentes graves. E isso não é apenas percepção. Somadas, as vítimas sobre motos e bicicletas em Curitiba no ano passado já ultrapassam os óbitos por atropelamento – que na série histórica, tanto local como nacional, sempre foi a principal causa de morte no trânsito. Foram 76 motociclistas e 14 ciclistas mortos – contra 86 atropelamentos fatais.

INFOGRÁFICO: Veja o número de acidentes entre os ciclistas e motociclistas

"A gente percebe, na prática, que 30% dos acidentes envolvem motociclistas, número que é condizente com a quantidade de veículos, mas que a relação é inversa quando se fala em vítimas. Aí são 70% de motociclistas", comenta o tenente Ismael Veiga, porta-voz do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran).

Habilitação

Entre os motociclistas, ainda chama a atenção a quantidade de condutores não habilitados que se envolveram em colisões com mortes: 18 não tinham carteira de habilitação. "Há um indicativo de que quem não tem habilitação está menos preparado, não conhece tanto as regras de trânsito e aprendeu a pilotar com vícios. Mesmo quem passa pelos procedimentos do Detran não está totalmente preparado, muito pior é com quem não passa", resume. Além da falta de habilitação, o BPTran informa que são vários os casos, descobertos em blitze, de motociclista com a carteira suspensa ou cassada. "Essas pessoas não deviam estar trafegando", lembra.

Perfil

A grande maioria dos mortos nos acidentes envolvendo motocicletas no ano passado era homem, com menos de 30 anos. As colisões fatais com motociclistas repetem o mesmo padrão dos acidentes de carros, com mais casos nos sábados à noite, associados ao uso de bebida alcoólica e a excesso de velocidade. Mas o destaque negativo é que o desrespeito à sinalização é, segundo a análise feito dos casos, mais frequente entre os usuários de motos. "Muitas vezes não é respeitada a distância entre os veículos e há mudança repentina de faixa", complementa Vera Lídia Alves de Oliveira, que coordena a comissão de análise de óbitos do Programa Vida no Trânsito.

Álcool

Tanto em situações envolvendo motociclistas quanto ciclistas, as equipes que analisam as mortes no trânsito encontraram condutores embriagados. "Conseguir se manter sobre duas rodas já não é fácil, imagine sobre o efeito de álcool", comenta o médico especialista em trauma Ricardo Falavinha. Outro alerta é feito pelo BPTran: a maior parte dos acidentes envolvendo moto e bicicleta ocorre no cruzamentos. É preciso atenção redobrada. "Às vezes, ele [motociclista ou ciclista] está correto, mas não age defensivamente. O sinal verde não basta para ele. Por estar mais exposto, precisa se proteger mais", define o tenente Veiga, do BPTran.

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