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Para entender

Grande revisão científica aponta falta de provas para uso medicinal da maconha

Estudo que reuniu 45 anos de pesquisas concluiu que faltam evidências robustas para o uso de canabinoides, derivados da maconha medicinal. (Foto: Budding/Unsplash)

Uma análise profunda de 5.774 estudos realizados ao longo de 45 anos revela que não existem evidências científicas robustas para o uso de canabinoides no tratamento de transtornos mentais comuns, como depressão e ansiedade. O alerta surge em um momento de rápida expansão regulatória no Brasil, onde a Anvisa liberou recentemente o cultivo da planta para fins medicinais e de pesquisa científica.

Quais são as principais conclusões do estudo sobre a eficácia dos canabinoides?

Os pesquisadores descobriram que falta fundamentação científica confiável para o uso da maconha medicinal em casos de ansiedade, depressão, transtorno bipolar e estresse pós-traumático. Embora compostos como o THC e o CBD sejam amplamente citados, a análise mostrou que eles não apresentam efeitos clinicamente significativos para essas condições psiquiátricas. Em casos de dependência de cocaína, o estudo identificou até um efeito negativo, com o aumento do desejo pela droga. O grau de confiança nas poucas evidências favoráveis para outras doenças foi classificado como baixo ou muito baixo.

Para quais doenças existem evidências reais de benefício terapêutico?

O uso de substâncias derivadas da planta apresenta resultados sólidos e comprovados apenas para condições médicas muito específicas e graves. As evidências mais robustas apontam benefícios reais no tratamento das síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut, que são formas raras de epilepsia infantil de difícil controle. Fora desses cenários neurológicos, as indicações frequentemente associadas à cannabis medicinal, especialmente no campo da psiquiatria e transtornos de humor, ainda carecem de dados científicos que confirmem que o tratamento é realmente eficaz e superior aos métodos tradicionais disponíveis.

Quais são os riscos e efeitos colaterais apontados pela pesquisa?

O estudo revelou que pacientes que utilizam canabinoides têm uma chance significativamente maior de sofrer efeitos adversos em comparação aos que recebem placebo. A estimativa é de que um em cada sete pacientes apresente problemas como boca seca, náuseas, diarreia e tontura. Embora os eventos considerados graves não tenham mostrado uma diferença estatística relevante na comparação, a frequência de desconfortos comuns levanta um alerta sobre a segurança do uso disseminado, especialmente quando não há uma comprovação clara de que a substância trará o benefício prometido para o transtorno tratado.

Como está a situação do cultivo e comércio da cannabis no Brasil?

O cenário brasileiro mudou drasticamente em agosto de 2026, após normas da Anvisa e decisões do STJ entrarem em vigor. Agora, empresas e instituições podem solicitar autorização para cultivar a Cannabis sativa em território nacional para fins medicinais e científicos. Esse movimento é impulsionado por um mercado global bilionário, que deve atingir US$ 47,5 bilhões até 2030. No entanto, o avanço jurídico e econômico no país ocorre de forma mais veloz do que a produção de provas científicas, gerando um descompasso entre o que é permitido por lei e o que é comprovado pela medicina.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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