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A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) aprovou, nesta terça-feira (28), a recomendação para que seus membros e lideranças não participem ou apoiem o movimento cristão dos Legendários. A decisão foi tomada no Supremo Concílio, que é a assembleia geral da denominação e está acontecendo até o dia 2 de agosto, em Manaus (AM).
De acordo com a IPB, as práticas realizadas pelos Legendários em seus retiros são incompatíveis com a doutrina da igreja. O documento oficial aprovado na assembleia cita que “qualquer movimento que condicione uma ‘reconfiguração identitária’ masculina a experiências místicas isoladas na natureza e a desafios de privação física/sensorial relativiza a suficiência da revelação escrita e desvia o crente do foco na suficiência da Cruz”.
Anteriormente, em reportagem publicada pela Gazeta do Povo, o reverendo Juarez Marcondes Filho — pastor da Igreja Presbiteriana de Curitiba, e agora eleito presidente do Supremo Concílio pelo próximo quadriênio — havia adiantado a posição da denominação sobre o assunto: “Toda a ênfase na masculinidade dos homens cristãos, a Igreja já oferece por meio de sua vivência normal. Já alguns aspectos que lembram uma certa ‘lavagem cerebral’ não fazem parte da dinâmica da Igreja Presbiteriana”.
Movimento transforma questões espirituais em produto, diz documento
O parecer da IPB sobre os Legendários também cita que técnicas utilizadas pelo movimento transformam algumas questões de ordem espiritual em “produto de consumo grupal e performático”. Também sinaliza que a denominação repudia métodos que busquem “forçar a conversão e a santificação mediante pressões psicossociais”.
“Dinâmicas de privação alimentar, exaustão física extrema e indução psicológica coletiva geram catarses emocionais e efeitos de conformidade que simulam falsamente o quebrantamento operado pelo Espírito Santo. A fé reformada prima pela sobriedade, ordem e racionalidade do culto”, aponta o documento.
A IPB ainda avalia que a autodefinição dos Legendários como “interdenominacional” e “a serviço da igreja” não o isenta de avaliação teológica no que diz respeito aos seus métodos e práticas. Por este motivo, a denominação recomenda expressamente que seus membros não participem, não promovam, não apoiem e não subsidiem eventos como estes, que são incompatíveis com sua doutrina.
“Todos os movimentos, quaisquer que sejam as suas alcunhas, de caráter marcadamente pragmático, antropocêntrico, neopentecostal e dependente de metodologias experiencialistas não têm respaldo ou sanção pelas Escrituras Sagradas, pela tradição histórica ou pela confessionalidade da Igreja Presbiteriana do Brasil”, diz o texto aprovado.
Legendários responde à decisão da Igreja Presbiteriana do Brasil
Em nota, o vice-presidente de Essência e Projetos Especiais dos Legendários, Joshua Catalan, diz que o movimento respeita e valoriza as diferentes denominações cristãs e suas respectivas decisões. Segundo ele “a fome, a sede, a angústia e a depressão não têm religião”.
Catalan ainda diz que acredita que o movimento é um instrumento para que “homens e mulheres, em diferentes partes do mundo, possam se aproximar ou voltar a se aproximar de Deus”. Além disso, de acordo com a nota publicada pelo portal G1, o vice-presidente explica que o “Legendários é um movimento humanitário, e seguimos focados em ações que contribuem para comunidades mais fortes, solidárias e com o bem comum”.



