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Vagas

Juiz rejeita ação e mantém cotas para pessoas trans na UnB

Magistrado entendeu que reserva de vagas pode ocorrer mesmo sem especificação em lei.
Magistrado entendeu que reserva de vagas pode ocorrer mesmo sem especificação em lei. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

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A Justiça do Distrito Federal negou um pedido da associação Mulheres Associadas – Mães e Trabalhadoras do Brasil (Matria) para impedir a reserva de cotas para pessoas trans na Universidade de Brasília (UnB). A sentença do juiz Francisco Valle Brum foi assinada nesta quarta-feira (7). Ainda cabe recurso.

A ação civil pública foi protocolada em 2025 e pedia a anulação de uma resolução de 2024 que instituiu as cotas. Também queria a suspensão do edital para o vestibular de 2026 com a previsão. Em novembro, Brum já havia negado uma liminar da entidade para suspender o edital, em contraste com o parecer do Ministério Público Federal (MPF). Ele entendeu que não seria possível interferir na autonomia da universidade desta forma e que cabe às instituições instituírem suas políticas de reserva de vagas.

Agora, o magistrado avança. De acordo com ele, a inexistência de uma lei federal instituindo as cotas trans não impede a universidade de criá-la, caso julgue necessário.

"A circunstância de inexistir lei federal que autorize ou determine a reserva de vagas para pessoas com base na autodeclarada identidade de gênero não impede a criação da política pública no âmbito da Universidade, que possui autonomia para tanto", apontou.

De acordo com a Matria, a reserva de vagas a pessoas autodeclaradas transsexuais seria subjetiva e estaria sujeita a fraudes, violando a segurança jurídica e a moralidade administrativa. Não haveria, nesse sentido, um critério objetivo para a concordância com a inclusão nas cotas.

Resolução fala em autodeclaração e "viver abertamente" como pessoa trans

A própria resolução estabelece que a reserva se dará por autodeclaração:

"Em todas as modalidades de seleção para ingresso primário nos cursos de graduação da Universidade de Brasília (UnB), [...] , serão reservadas 2% das vagas para pessoas autodeclaradas trans".

Logo em seguida, a norma explica:

"Considera-se como público-alvo desta política de ação afirmativa as pessoas que se identificam e vivem abertamente como pessoas trans, sejam travestis, mulheres trans, homens trans, transmasculinos ou pessoas não binárias".

Em junho de 2025, a comissão responsável passou a prever memorial narrativo, entrevista, comissão de validação e possibilidade de recurso.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a Matria. O espaço segue aberto para manifestação.

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