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Tratamento

Lula comenta pressão em sabatina na Globo: “Não espero que jornalista pergunte para me agradar”

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Andre Borges / EFE)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou nesta sexta-feira (28) o tratamento que recebeu em sabatina ao Jornal Nacional, realizada na véspera. Lula declarou que não tem o costume de reclamar de jornalistas, depois de fazer uma crítica no ar ao tom da âncora Renata Vasconcelos.

“Eu não reclamo do comportamento do jornalista porque ele está lá para falar de coisas que eles querem que sejam feitas, não aquilo que eu quero. Eu nunca espero que o jornalista vá fazer perguntas pra me agradar. O que é triste é que você se prepara para tentar discutir o futuro do Brasil", disse o presidente em agenda na Bahia.

Durante a sabatina, Renata perguntou ao presidente a respeito da dívida pública e sobre as metas do governo para estabilizá-la em um percentual do PIB. Lula ficou incomodado com o assunto – que toca em um tema sensível, que é a economia – e respondeu que esperava que “uma jornalista da qualidade” e da “competência” de Renata pudesse começar a pergunta falando diferente”.

Em seguida, declamou como entendia que a formulação deveria ser: “Presidente Lula, o senhor foi o único presidente na história do Brasil que fez superávit primário durante os oito anos do seu mandato...”

Carta do machismo

Em comentário sobre a participação do presidente, a comentarista Natuza Nery puxou a carta do machismo e viu mansplaining na atitude, dizendo que o presidente foi desrespeitoso e que sua postura tem “um nome” específico.

“Tem um momento que me incomodou: ele não concorda com a forma como a Renata perguntou e tenta ensinar como a Renata deveria perguntar. Tem nome para isso, que é mansplaining”, disse Natuza.

A comentarista Malu Gaspar, do jornal O Globo, também viu mansplaining na atitude.

Manoella Mello / TV Globo (Foto: Manoella Mello / TV Globo)

A ponderação foi acompanhada por Merval Pereira, que observou uma atitude menos combativa do presidente com o jornalista homem da bancada, Cesar Tralli.

A acusação de promover a prática em horário nobre atinge outro ponto delicado para o petista, que se identifica com pautas de combate ao preconceito contra mulheres. Isso é especialmente visto nas iniciativas contra o feminicídio promovidas pela primeira-dama, Janja da Silva, que é socióloga e identificada com o universo woke.

O que é mansplaining?

Termo frequentemente associado ao vocabulário identitário para criticar uma suposta arrogância masculina em debates com mulheres, o mansplaining caracteriza o ato de um homem explicar algo a uma mulher de forma “condescendente”, “paternalista” ou “excessivamente confiante”.

Sob essa perspectiva, o homem partiria, por conta do “machismo estrutural”, do pressuposto de que uma mulher sabe menos (ou não entenderia) algo apenas por ser mulher — mesmo quando ela seria uma autoridade no assunto.

O termo vem do inglês (man + explaining) e popularizou-se a partir de um ensaio da escritora Rebecca Solnit, publicado em 2008 (“Men Explain Things to Me”). O ato não envolve apenas “explicar”, mas sim adotar um tom de superioridade e desconsideração em relação ao conhecimento da interlocutora.

O linguajar feminista ainda tem outros termos que importa diretamente do exterior para definir outras práticas: manterrupting (interromper uma mulher), gaslighting (fazer uma mulher de louca e desequilibrada por meio da manipulação) e manspreading (quando um homem se senta em um ambiente público com as pernas excessivamente afastadas uma da outra).

Outros momentos desconfortáveis

Lula teve, na sabatina da TV Globo, diversos momentos em que manifestou incômodo com o tratamento dado pelos jornalistas. Questionado sobre as suspeitas de corrupção em seus governos anteriores, afirmou ter sido vítima da “maior mentira da história”, referindo-se às acusações da Operação Lava Jato.

Ele interpretou a anulação das condenações contra si dizendo que foi “inocentado” das acusações referentes ao sítio de Atibaia e ao tríplex no Guarujá. Os processos, na verdade, foram anulados pelo STF por razões processuais, sem julgamento definitivo do mérito após condenações anteriores. Como os processos não foram reabertos a tempo, as provas não foram novamente apreciadas e as acusações acabaram prescrevendo.

Ele também mentiu ao dizer que não conhecia a lobista Roberta Luchsinger, sendo que mais tarde apareceram dezenas de fotos dela com o presidente. A campanha depois divulgou uma nota dizendo que as fotos não provariam nada.

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