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Para entender

Lula sugere conselho com sociedade civil para indicar nomes ao STF

Proposta de Lula para dar voz a sindicatos e empresários na escolha do STF aumenta risco de barganhas políticas. (Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF)

O presidente Lula defende uma mudança no modelo de escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sugerindo a criação de uma comissão de notáveis com representantes de diversos setores. A proposta visa reduzir o poder de decisão exclusiva da presidência. Juristas alertam, no entanto, que a medida pode ampliar o ativismo e a influência ideológica sobre a composição da Corte.

Como funcionaria a nova comissão sugerida pelo presidente?

A ideia central de Lula é que os indicados ao STF passem pelo crivo de uma comissão de notáveis antes de serem submetidos ao Senado. Ele citou que grupos como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sindicatos e entidades empresariais teriam voz nesse processo. O objetivo declarado é criar um modelo menos dependente da vontade individual do presidente da República. Apesar da defesa dessa descentralização, críticos lembram que as nomeações recentes de Lula priorizaram nomes de sua confiança pessoal e política, como seus antigos advogados.

Quais são os riscos apontados por especialistas sobre esse modelo?

Juristas e cientistas políticos veem a proposta com ressalvas, acreditando que a inclusão de entidades organizadas pode transformar a escolha técnica em uma disputa de facções. Para esses especialistas, uma corte constitucional exige que o indicado esteja acima de interesses particulares e possua respeito disseminado em todo o espectro político. O receio é que a participação de conselhos sindicais ou religiosos torne o processo ainda mais rígido em termos ideológicos, favorecendo o ativismo judicial em vez de privilegiar critérios objetivos, como a carreira jurídica e perfis técnicos.

O sistema atual de indicações é considerado ideal pelos juristas?

Embora rejeitem o conselho sugerido, especialistas também não estão satisfeitos com o formato atual. Eles avaliam que a sabatina conduzida pelo Senado Federal tem sido insuficiente para garantir um controle institucional efetivo e um escrutínio público rigoroso sobre os futuros magistrados. Existe um consenso de que o mecanismo atual falha em limitar a concentração de poder. No entanto, acreditam que a problemática maior não é apenas como escolher o ministro, mas sim definir claramente o que essas pessoas farão e qual será a extensão do poder que exercerão após a posse na Corte Suprema.

Quais mudanças na estrutura do STF são consideradas mais urgentes?

Para estudiosos do Direito, alterações institucionais só funcionarão se houver uma mudança de postura e autocontenção dos ministros. Entre as sugestões de reforma estão o fim da competência penal originária, ou seja, retirar do STF a tarefa de julgar crimes comuns, transformando-o em uma corte puramente constitucional. Outras propostas incluem a criação de reavaliações periódicas de dez anos pelo Senado, a proibição de decisões monocráticas (feitas por um único ministro) em temas muito relevantes e a redução das competências de controle concentrado, buscando maior prestação de contas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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