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Investigação e consequências

MP cobra explicação de Aneel, governo e Itaipu

Técnicos de pesquisa espacial insistem que ocorrência de raios estava distante das linhas de transmissão

Sala de controle do ONS:proteção do sistema elétrico é mais eficiente do que nos EUA e na Europa, diz diretor do órgão | Evaristo Sá/AFP
Sala de controle do ONS:proteção do sistema elétrico é mais eficiente do que nos EUA e na Europa, diz diretor do órgão (Foto: Evaristo Sá/AFP)

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento administrativo para apurar as causas e os responsáveis pelo blecaute que afetou 18 estados brasileiros entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feira. O trabalho ocorrerá em duas fases: coleta das informações e apuração pelos procuradores nos estados.Com isso, o Ministério de Minas e Energia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Itaipu Binacional precisam apresentar explicações sobre o ocorrido para a Procuradoria Geral da República até a próxima semana.O procurador Marcelo Ribeiro de Oliveira, do Grupo de Trabalho Energia e Combustíveis, afirmou que o MP pode concluir a primeira etapa da apuração em 15 dias. Ele espera receber uma documentação completa sobre as causas do apagão para que sejam cobrados os direitos dos consumidores e a garantia dos serviços. "Esperamos receber a documentação completa sobre o blecaute, com explicações sobre o que aconteceu, por que, onde foi. Queremos saber se existem mecanismos para evitar apagões e, se não existem, se serão adotados", afirmou.

Condições climáticas

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por sua vez, prepara uma relatório para enviar ao ONS sobre as condições atmosféricas no Brasil durante o apagão. O Inpe já afirmou, em nota, que houve uma "linha de instabilidade atmosférica" que causou chuvas fortes, raios e rajadas de vento em localidades do Paraná e em São Paulo, onde três linhas de transmissão de Furnas, responsáveis por transportar a energia gerada em Itaipu, foram desligadas. Foi esse bloqueio que causou o desligamento da maior hidrelétrica do mundo.

Na mesma nota, porém, o instituto reforça sua tese contrária à do governo. O Inpe afirma que as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a aproximadamente 30 quilômetros da subestação de Itaberá (SP) – o epicentro da crise – e a cerca de 10 quilômetros das linhas de Furnas. Para os especialistas do Inpe, apenas descargas elétricas de intensidade superior a 100 quiloampères (kA) que atingissem diretamente uma linha seriam capazes de causar um transtorno como o de anteontem. A intensidade das cargas verificada pelo Inpe é inferior a 20 kA.

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