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União da Vitória, no Sul do Paraná, em junho do ano passado: enchente provocou enormes prejuízos e provocou mortes na cidade | Brunno Covello/Agência de Notícias Gazeta do Povo
União da Vitória, no Sul do Paraná, em junho do ano passado: enchente provocou enormes prejuízos e provocou mortes na cidade| Foto: Brunno Covello/Agência de Notícias Gazeta do Povo

O Paraná registrou nos últimos 35 anos 6.750 desastres, que atingiram 396 municípios e afetaram 11,3 milhões de pessoas no estado no período. Das cinco principais categorias de desastres – que inclui acidentes provocados diretamente pelo homem –, as outras quatro estão relacionadas à ação da natureza: tempestades, granizo, inundações e enxurradas.

Os dados foram apresentados pela Defesa Civil Estadual durante o Simpósio de Defesa Civil “Cidades Resilientes”, realizado na quinta-feira (18) em Francisco Beltrão, Sudoeste do estado. O evento reuniu alguns dos principais estudiosos do assunto no Brasil, tendo entre os objetivos fortalecer o gerenciamento de riscos e reforçar a prevenção de desastres.

Chuva é um dos principais problemas do estado

O passo-a-passo para tornar uma cidade resiliente

Durante o encontro, falou-se das metas traçadas na 3.ª Conferência Mundial da ONU para Redução do Risco de Desastres, realizada em Sendai, no Japão, em março. Desde 2005, os desastres no mundo causaram a morte de 700 mil pessoas e acumularam perdas econômicas de US$ 1,4 trilhão.

O que é?

Conforme deifinição da ONU, uma cidade resiliente é aquela que consegue resistir, absorver e se recuperar de maneira mais eficiente aos efeitos de um desastre, evitando a perda do maior número possível de vidas e reduzindo prejuízos.

14 municípios

do Paraná obtiveram reconhecimento da ONU como cidades resilientes, ou seja, com boa capacidade de resposta para desastres. São eles: Curitiba, Londrina, Maringá, Cianorte, Colorado, Marialva, Nova Esperança, Peabiru, Querência do Norte, Loanda, Farol, Goioêre, Capanema e Francisco Beltrão. Outros onze estão em processo: Jaguariaíva, Mamborê, Sarandi, Terra Boa, São Jorge D´Oeste, Salto do Lontra, Dois Vizinhos, Marmeleiro, Bom Jesus do Sul, Campo Mourão e Nova Londrina.

Além de reduzir os riscos, espera-se que até 2030 as cidades estejam preparadas para se reconstruir com maior rapidez quando acometidas por tais fenômenos. “O novo marco de Sendai visa a diminuir nos próximos 15 anos o número de pessoas que morrem, as perdas econômicas e as pessoas afetadas. O que se busca não é gerenciar o desastre, mas sim o risco de desastre”, explica David Stevens, chefe do escritório regional das Américas para redução de desastres da ONU.

630 ocorrências

de desastres foram registradas na região de Cascavel, no Oeste do Paraná, desde 1980, com um total de 1.828.550 pessoas afetadas nesse período – o maior número no estado. A predominância foram de fenômenos como vendavais (213), granizo (120), estiagem (90), enxurradas (52), chuvas intensas (31), transporte de produtos perigosos (27), inundações (27) e incêndio florestal (15). O prejuízo acumulado chegou a R$ 1,6 bilhão. A região agrega 42 municípios. Já a região de Francisco Beltrão, formada por 27 cidades, teve perdas econômicas de R$ 1,3 bilhão no período. Foram 661 registros desde 1980, com 1 milhão de pessoas afetadas.

De acordo com ele, as cidades precisam construir resiliência para proteger de forma mais efetiva sua população. No mundo, das 2.560 cidades chamadas resilientes, 358 estão no Brasil e 14 no Paraná. Stevens cita o estado como exemplo em seu plano de ação para incentivar os municípios a assinarem o protocolo de intenções de cidades resilientes. O representante da ONU afirma que os regimes de chuvas vão mudar ainda mais no futuro, com poucas e intensas horas de precipitações, seguidas de granizo.

Protocolo

Segundo o coronel Adilson Castilho Casitas, coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, a cada dois dias, três desastres – naturais ou por ação humana – ocorrem no Paraná. A média anual de prejuízos supera a cifra de R$ 1 bilhão. Casitas informa que a meta é chegar ao fim do ano com ao menos 150 cidades signatárias do protocolo de intenções de tornarem-se resilientes. “Nosso principal desafio foi desenvolver atividade de defesa civil atuando na prevenção e fazendo investimentos em cada regional para capacitação das coordenadorias municipais.” Para o coordenador, é fundamental a integração das políticas públicas, a conscientização da população sobre os riscos, a realização de mapeamentos das áreas de risco e suas consequentes ações preventivas e mitigadoras.

Chuva é um dos principais problemas do estado

A chuva é um dos principais problemas em todo o território paranaense, segundo o tenente-coronel Edemilson de Barros, coordenador Executivo de Proteção e Defesa Civil do Estado do Paraná. Ele observa que as áreas alagadiças, por exemplo, terão de ser desocupadas, como forma de prevenção. O militar cita o caso de União da Vitória, no Sul do estado, que sofre muito com enchentes. De acordo com Barros, está em andamento na região um projeto habitacional, através do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, para retirar famílias que moram nas proximidades do Rio Iguaçu. “No local serão implantados parques lineares e áreas de lazer, que também servirão como espaços para o controle das cheias. Como acontece com os parques Barigui e São Lourenço em Curitiba”, compara. (NP)

Passo a passo

Para se tornar resiliente o município precisa:

1 Organizar-se para a resiliência a desastres;

2 Identificar cenários de riscos atuais e futuros;

3 Fortalecer a capacidade financeira de resiliência;

4 Buscar desenvolvimento e projetos resilientes;

5 Proteger zonas de amortecimentos naturais;

6 Manter a capacidade institucional de resiliência;

7 Fortalecer a capacidade da sociedade em resiliência;

8 Aumentar a resiliência da infraestrutura;

9 Assegurar uma resposta eficaz para o desastre;

10 Acelerar a recuperação e reconstruir melhor.

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