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Pela primeira vez desde 2014, o eleitorado de direita superou o de esquerda em uma pesquisa do instituto Datafolha. À época 45% dos respondentes se posicionaram na esquerda ou centro-esquerda, enquanto 35% se enquadravam em posicionamentos de direita ou de centro-direita. Agora, o cenário inverteu: 39% se posicionam à esquerda e 44% à direita.
No detalhamento ampliado, os resultados consolidados - unindo comportamento e economia - foram:
- Esquerda: 13%;
- Centro-esquerda: 26%;
- Centro: 17%;
- Centro-direita: 29%;
- Direita: 15%.
Os recortes ajudam a explicar o quadro geral: apesar da manutenção de indicadores de esquerda em nove dos 15 indicadores, a série histórica mostra uma tendência do eleitorado a visões mais conservadoras nas pautas de comportamento e mais liberais na agenda econômica.
Comportamento
Porte de armas
- Esquerda - A posse de armas deve ser proibida, pois representa ameaça à vida de outras pessoas: 55% (caiu: eram 63% em 2022);
- Direita - Possuir uma arma legalizada deveria ser um direito do cidadão para se defender: 41% (subiu: eram 35% em 2022);
- Não sabem: 3% (subiu: eram 2% em 2022).
Natureza da pobreza
- Esquerda - Boa parte da pobreza está ligada à falta de oportunidades iguais para que todos possam subir na vida: 58% (caiu: eram 76% em 2022);
- Direita - Boa parte da pobreza está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar: 40% (subiu: eram 22% em 2022);
- Não sabem: 3% (subiu: eram 2% em 2022).
Migração
- Esquerda - Pessoas pobres de outros países e estados que vêm trabalhar na sua cidade contribuem com o desenvolvimento e a cultura da cidade: 74% (caiu: eram 76% em 2022);
- Direita - Pessoas pobres de outros países e estados que vêm trabalhar na sua cidade acabam criando problemas para a cidade: 20% (subiu: eram 19% em 2022);
- Não sabem: 6% (subiu: eram 5% em 2022);
Causa da criminalidade
- Direita - A maior causa da criminalidade é a maldade das pessoas: 64% (subiu: eram 56% em 2022);
- Esquerda - A maior causa da criminalidade é a falta de oportunidades iguais para todos: 34% (caiu: eram 42% em 2022);
- Não sabem: 2% nas duas pesquisas.
Pena de morte
- Esquerda - Não cabe à Justiça matar uma pessoa, mesmo que ela tenha cometido um crime grave: 52% (caiu: eram 61% em 2022);
- Direita - A pena de morte é a melhor punição para indivíduos que cometem crimes graves: 43% (subiu: eram 36% em 2022);
- Não sabem: 5% (subiu: eram 3% em 2022).
Drogas
- Direita - O uso de drogas deve ser proibido porque toda a sociedade sofre com as consequências: 85% (subiu: eram 83% em 2022);
- Esquerda - O uso de drogas não deve ser proibido, porque é o usuário que sofre com as consequências: 13% (caiu: eram 15% em 2022);
- Não sabem: 2% nas duas pesquisas.
Homossexualidade
- Esquerda - A homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade: 72% (caiu: eram 79% em 2022);
- Direita - A homossexualidade deve ser desencorajada por toda a sociedade: 20% (caiu: eram 16% em 2022);
- Não sabem: 8% (subiu: eram 6% em 2022).
Sindicatos
- Direita - Os sindicatos servem mais para fazer política do que defender os trabalhadores: 55% (subiu: eram 50% em 2022);
- Esquerda - Os sindicatos são importantes para defender os interesses dos trabalhadores: 40% (caiu: eram 47% em 2022);
- Não sabem: 5% (subiu: eram 3% em 2022).
Maioridade penal
- Direita - Adolescentes que cometem crimes devem ser punidos como adultos: 70% (subiu: eram 65% em 2022);
- Esquerda - Adolescentes que cometem crimes devem ser reeducados: 27% (caiu: eram 34% em 2022);
- Não sabem: 3% (subiu: era 1% em 2022).<br>
VEJA TAMBÉM:
Economia
Intervenção do Estado
- Esquerda - É bom que o governo atue com força na economia para evitar abusos das empresas: 50% nas duas pesquisas;
- Direita - Quanto menos o governo atrapalhar a competição entre as empresas, melhor para todos: 43% (caiu: eram 44% em 2022);
- Não sabem: 8% (subiu: eram 6% em 2022).
Impostos
- Direita - É preferível pagar menos impostos ao governo e contratar serviços particulares de educação e saúde: 50% (subiu: eram 46% em 2022);
- Esquerda - É preferível pagar mais impostos ao governo e receber serviços gratuitos de educação e saúde: 44% (caiu: eram 48% em 2022);
- Não sabem: 6% nas duas pesquisas.
Benefícios sociais
- Direita - Quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida: 65% (subiu: eram 58% em 2022);
- Esquerda - Quanto mais benefícios do governo eu tiver, melhor estará minha vida: 31% (caiu: eram 38% em 2022);
- Não sabem: 4% (subiu: eram 3% em 2022).
Ajuda estatal a empresas
- Esquerda - O governo tem o dever de ajudar grandes empresas nacionais que corram o risco de ir à falência: 69% (caiu: eram 71% em 2022);
- Direita - O governo não deve ajudar grandes empresas nacionais que corram o risco de ir à falência: 27% (subiu: eram 25% em 2022);
- Não sabem: 5% (subiu: eram 4% em 2022).<br>
Leis trabalhistas
- Esquerda - As leis trabalhistas no Brasil mais protegem os trabalhadores do que atrapalham o crescimento das empresas, por isso boa parte delas deveria ter seus benefícios ampliados: 56% nas duas pesquisas;
- Direita - As leis trabalhistas no Brasil mais atrapalham o crescimento das empresas do que protegem os trabalhadores, por isso boa parte delas deveria ser eliminada: 36% (caiu: eram 37% em 2022);
- Não sabem: 9% (subiu: eram 7% em 2022).
Investimento governamental
- Esquerda - O governo deve ser o maior responsável por investir no país e fazer a economia crescer: 71% (caiu: eram 72% em 2022);
- Direita - As empresas privadas devem ser as maiores responsáveis por investir no país e fazer a economia crescer: 24% nas duas pesquisas;
- Não sabem: 4% nas duas pesquisas.
Metodologia
O instituto não questionou aos entrevistados como eles se definiam. Em vez disso, são apresentadas perguntas sobre questões políticas, sociais e econômicas. Com isso, é feita uma escala para classificar o eleitor como de esquerda ou de direita.
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores presencialmente nos dias 17 e 18 de junho, em 139 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi financiada por recursos próprios e recebeu o registro BR-09956/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).




