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O surfista Ricardo Santos, de 24 anos, não resistiu aos ferimentos provocados pelos três tiros que levou na segunda-feira e morreu no início da tarde desta terça-feira (20) no Hospital Regional de São José (SC) | Ryan Miller/Red Bull Content Pool
O surfista Ricardo Santos, de 24 anos, não resistiu aos ferimentos provocados pelos três tiros que levou na segunda-feira e morreu no início da tarde desta terça-feira (20) no Hospital Regional de São José (SC)| Foto: Ryan Miller/Red Bull Content Pool

O policial militar Luis Paulo Mota Brentano, 25, preso pela morte do surfista catarinense Ricardo dos Santos, 24, o Ricardinho, foi indiciado nesta quinta-feira (29) sob suspeita de homicídio duplamente qualificado e embriaguez ao volante.

Ricardinho morreu na terça passada (20), um dia depois de discutir e de ser baleado pelo policial na frente de casa, na praia da Guarda do Embaú, em Palhoça (Grande Florianópolis).

Segundo a Polícia Civil, o policial estacionou o carro sobre canos de água e atirou ao ser repreendido pelo surfista.

Com o indiciamento, o inquérito sobre a morte do atleta foi concluído e encaminhado ao Ministério Público, que pode denunciar o policial à Justiça, pedir novas diligências ou arquivar o caso.

O delegado Marcelo Arruda, responsável pelo indiciamento, disse que, se condenado, Brentano pode pegar até três anos de cadeia pela embriaguez ao volante e de 12 a 30 anos de prisão pelo homicídio duplamente qualificado -cometido por motivo fútil e sem chance de defesa à vítima.

No dia da discussão, Brentano estava alcoolizado, segundo o IGP (Instituto Geral de Perícias) de Santa Catarina. Ele tinha 13 decigramas de álcool por litro de sangue. O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) não tem mais nenhum nível de tolerância para a substância no sangue, de acordo com Arruda.

LEGÍTIMA DEFESA

O inquérito da Polícia Civil também descartou o argumento de legítima defesa apresentado por Brentano em depoimento e na reconstituição do crime, na terça (27), na Guarda do Embaú.

"Nada indica que ele tenha agido em legítima defesa. Não temos ainda o laudo da reconstituição, mas todas as outras provas de que dispomos mostram que não houve tentativa de se defender", disse o delegado Arruda.

O exame cadavérico mostrou que o surfista foi atingido por um tiro na lateral do corpo e outro pelas costas.

Brentano está preso no quartel da Polícia Militar em Joinville (a 170 km de Joinville), onde está lotado. Além do processo na esfera civil, ele responderá a processo pelos mesmos crimes na Justiça Militar.

O comando estadual da corporação também abriu um procedimento administrativo contra Brentano, mas já anunciou que ele será expulso da PM, porque, mesmo estando em férias quando cometeu o crime, "foi um mau exemplo".

Na segunda-feira (26), o militar divulgou nota, via advogado, em que disse "lamentar profundamente" o corrido e pediu para não ser "pré-julgado" ou julgado em clima de comoção.

A defesa dele não atendeu a reportagem para comentar o indiciamento.

Ricardinho morreu no Hospital Regional de São José (Grande Florianópolis), após quatro cirurgias para controlar hemorragia.

A morte foi lamentada pelos principais surfistas do mundo, como Gabriel Medina, campeão mundial em 2014, e Kelly Slater, dono de 11 títulos mundiais.

Ricardinho estava fora da elite do surfe desde 2013. Ele vinha competindo em torneios de ondas gigantes.

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