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A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou, no início da noite desta quarta-feira (6), que dois agentes da 41ª DP (Tanque) que participaram da blitz onde um juiz e duas crianças foram baleados foram indiciados pela Corregedoria Interna por tentativa de homicídio. Os policiais envolvidos no caso estão afastados das ruas.

Segundo a polícia, a perícia feita pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) confirmou que as balas que atingiram o juiz e sua enteada partiram do fuzil que estava com um dos agentes. A polícia ainda não sabe de onde partiu o tiro que atingiu o filho do juiz de 11 anos.

Em nota oficial, a Polícia Civil informou, ainda, que o outro policial foi indiciado porque fez disparos e sustentou a versão de uma troca de tiros com os ocupantes de ocupantes de um Honda civic. De acordo com os peritos, os cartuchos arrecadados no local eram dos fuzis que estavam com eles. Os policiais foram ouvidos na tarde de terça-feira (5), na Corregedoria de Polícia Civil, e negaram as acusações.

O crime aconteceu na noite de sábado (2), na Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, na pista sentido Zona Oeste. Uma testemunha, que também teve o carro atingido por balas, confirmou na 41ª DP que os tiros partiram de policiais. Dois dias após o tiroteio, o chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski, exonerou o delegado Fábio da Costa Ferreira do cargo de titular da 41ª DP (Tanque).

Juiz diz que 'agente público' atirou contra ele

O juiz federal do trabalho Marcelo Alexandrino da Costa Santos escreveu uma nota nesta quarta confirmando que os disparos contra ele e sua família foram feitos pela polícia. No texto, ele afirma que "nada há de mais aterrador do que a imagem de um agente público, que de nós deveria cuidar, disparando arma de fogo, com a intenção de matar, contra um casal de bem e suas crianças inocentes".

No comunicado, o magistrado agradece as manifestações de solidariedade e pede que a população continue "orando" e enviando "vibrações positivas" para sua família. A nota foi divulgada a pedido do juiz pela assessoria do Hospital Pasteur, no Méier, onde o magistrado continua internado e se recupera bem.

Já as crianças seguem internadas no CTI pediátrico do Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, também Zona Oeste. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, elas respiram sem auxílio de aparelhos. O estado de saúde das crianças melhorou, mas ainda é considerado grave.

Confira a íntegra da nota escrita pelo juiz:

"Às milhões de pessoas que, no Brasil e no mundo, têm-nos enviado mensagens e pensamentos de preocupação, carinho e solidariedade:

Eu e toda a minha família, do fundo de nossos corações, agradecemo-lhes e pedimos que continuem orando e nos enviando vibrações positivas, pois, apesar da distância, a tremenda energia que acompanha seus pensamentos nos tem ajudado a seguir em frente, vencendo a cada dia uma nova batalha contra todo o sofrimento físico, emocional, mental e espiritual que temos atravessado.

Todos os dias e em todas as horas, o planeta assiste às mais variadas violações dos Direitos Humanos. Porém, nada há de mais aterrador do que a imagem de um agente público, que de nós deveria cuidar, disparando arma de fogo, com a intenção de matar, contra um casal de bem e suas crianças inocentes apenas para satisfazer seu desejo de exibir um poder que, fora dos limites legais, simplesmente não existe.

Já é passado o momento da mudança. Já não se deve mais aceitar o inaceitável. Já não se pode mais observar a violência e o mau exercício da autoridade pública como convidados bem-vindos a nossas vidas.

Portanto, que essa vibração positiva que nos tem sido enviada se estenda também a todos os seres humanos, a fim de que, da criação de espaços de resistência, onde impere a dignidade, possa nascer uma sociedade verdadeiramente livre, justa e igualitária.

Por fim, não podemos deixar de registrar nossa gratidão a todos os profissionais dos hospitais em que estamos internados. Sua dedicação é confortante e nos inspira a confiança em um amanhã sempre melhor.

Mais uma vez, muito obrigado. Marcelo Alexandrino da Costa Santos e família".

Especialista critica treinamento

Dos seis policiais que participaram da ação, cinco eram novos na Polícia Civil e estavam trabalhando há apenas três meses na corporação, depois de passarem pela academia de polícia.

"Não há uma cultura de treinamento nas administrações públicas e nas instituições policiais. Devemos estar preocupados com a seleção do nosso policial, do tipo de treinamento que ele recebe, suas condições do trabalho, do salário que ele recebe e, principamente, o controle constante do seu desempenho da prática diária", disse o especialista de segurança, Paulo Storani.

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