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Apresentador do IronTalks

Quem é Felipe Sestaro, que viraliza por brigas com direitistas

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Felipe Sestaro, apresentado do IronTalks, discute com Jeffrey Chiquini, candidato a deputado federal pelo Novo do Paraná. (Foto: Reprodução/YouTube/Iron Studios)

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O influenciador Felipe Sestaro tem sido personagem frequente dos cortes de política das redes sociais nas últimas semanas. O episódio mais recente a viralizar foi um bate-boca com o advogado Jeffrey Chiquini, pré-candidato a deputado federal pelo Novo no Paraná, que terminou com o convidado se levantando e abandonando o IronTalks, podcast comandado por Sestaro, antes do fim da live, feita no dia 4.

Chiquini perguntou a Sestaro se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era corrupto. O apresentador, que é um crítico do PT, argumentou que seria perigoso juridicamente fazer essa afirmação porque não há hoje uma condenação criminal válida contra o presidente. As condenações de Lula na Lava Jato foram anuladas em 2021 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos.

Chiquini comparou a cautela com Lula com a maneira como Sestaro vinha falando de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chamou o anfitrião de "militante do Lula" e "lulista" e foi embora do estúdio. "Você é Lula, caiu tua máscara", disse. Sestaro ofendeu Chiquini em seguida. O episódio continuou repercutindo nos dias seguintes, e tanto Sestaro como Chiquini disseram nas redes sociais que passaram a receber ameaças depois da briga.

IronTalks, de Sestaro, virou um dos podcasts mais frequentados por direitistas candidatos

Embora abra espaço para convidados de diferentes posições políticas, o IronTalks recebe sobretudo políticos e influenciadores da direita. Só no último mês, Sestaro recebeu nomes como o deputado federal e candidato ao Senado Ricardo Salles (Novo-SP), os deputados federais Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Zé Trovão (PL-SC), o candidato a deputado estadual Paulo Kogos (PL-SP), a candidata ao Senado Cristina Graeml (PSD-PR), o candidato ao governo de Santa Catarina Marcelo Brigadeiro (Missão), a candidata a deputada federal Marina Helena (Novo-SP) e o jornalista Oswaldo Eustáquio.

Cortes dessas conversas viralizam porque Sestaro, que em geral expressa posições direitistas, costuma ser incisivo ao apontar o que enxerga como hipocrisia de certas personalidades da direita. Em um programa de julho com o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), por exemplo, ele critica a força da visão pragmática dentro do PL, afirmando que quem realmente manda nos direitistas ligados ao partido é o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto.

Sestaro já disse considerar Jair Bolsonaro o "melhor presidente da história" e sempre fez críticas duras ao PT e a Lula. Mas, nos últimos meses, especialmente após o caso "Dark Horse", tem sido um forte crítico da candidatura de Flávio Bolsonaro. A polêmica de Sestaro com parte do público direitista se aprofundou justamente por isso.

Em abril, numa conversa com Agustin Fernandez, amigo da candidata ao Senado Michelle Bolsonaro (PL-DF), o apresentador questionou a autenticidade política de Flávio e citou como exemplo o seu voto no projeto que equiparava a misoginia ao racismo. "A gente está cansado de pastel de vento", disse Sestaro ao cobrar de Flávio uma postura mais firme.

Em junho, Sestaro afirmou que Flávio estava "covardemente calado como um rato" sobre os abusos do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também é um crítico pesado do apoio de aliados de Bolsonaro a André do Prado (PL-SP) como candidato ao Senado.

A sucessão de choques não impediu Sestaro de continuar recebendo figuras da direita, inclusive algumas com forte vínculo ao grupo de Bolsonaro. O jornalista Paulo Figueiredo, por exemplo, foi o convidado do IronTalks desta sexta-feira (14).

Uma das brigas de Sestaro a ganhar repercussão nacional neste ano teve como protagonista outro candidato direitista à Presidência: Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, que foi ao IronTalks em junho. Os dois são médicos, mas entraram em conflito quando a conversa chegou às medidas adotadas durante a pandemia de Covid-19.

Sestaro afirmou que isolamento social e uso de máscaras haviam sido desnecessários e que a vacina contra a Covid matou pessoas. Caiado ficou irritado e reagiu dizendo que opiniões sobre efeitos adversos precisavam de comprovação científica e chamou as afirmações do apresentador de "achismo" e "desserviço".

De pastor da Bola de Neve na Rússia a apresentador de podcast

Após a briga com Chiquini, usuários das redes sociais resgataram informações sobre o passado de Sestaro, entre elas uma imagem postada como capa de uma publicação no próprio Instagram do influenciador, na qual ele aparece com Lula quando era mais jovem. O contexto, porém, é uma publicação de 2024 em que ele responde à pergunta: "Faria algo diferente no passado?". A legenda diz: "O ano era 2004…", sugerindo que o apoio a Lula é algo de que ele se arrepende.

Outro elemento do passado de Sestaro usado contra ele por apoiadores de Flávio Bolsonaro nos últimos dias foi sua ligação com a Rússia. Na década de 2000, ele se mudou para o país para estudar medicina e, ao mesmo tempo, atuar como missionário evangélico.

Em 2017, quando ele ainda residia no país, uma reportagem do jornal O Globo entrevistou Sestaro e o apresentou como médico e pastor da igreja Bola de Neve, natural de Santos e então radicado havia 12 anos na Rússia. Sestaro começou a pregar em uma pequena garagem, depois transferiu as reuniões para seu quarto em um alojamento universitário e mais tarde ajudou a estabelecer uma filial da igreja Bola de Neve em Moscou.

Segundo a reportage, naquela época, ele comandava sete células da denominação no país, frequentadas sobretudo por brasileiros e outros estrangeiros, incluindo jogadores de futebol. Sestaro relatava atuar de forma cada vez mais discreta devido ao endurecimento das leis russas contra atividades religiosas de grupos minoritários e dizia temer ser preso caso fosse denunciado por realizar ações de evangelização.

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