O álcool chegou até as casas dos moradores mais próximos ao terminal | Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo
O álcool chegou até as casas dos moradores mais próximos ao terminal| Foto: Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo

As 15 famílias da Vila Becker que tiveram de ser removidas de suas casas após o vazamento no Terminal Público do Porto de Paranaguá, na tarde de segunda-feira (13), devem retornar aos seus lares na quarta-feira (15). Uma reunião entre os moradores, representantes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil do município definiu o retorno para as 16 horas de quarta-feira.

"A situação está controlada, não há mais risco de incêndios. Fizemos uma reunião com a comunidade e, por questões de segurança, eles concordaram em retornarem somente na quarta-feira, às 16 horas", explicou o capitão do Corpo de Bombeiros de Paranaguá Jonas Emmanuel Pinto.

Emmanuel afirmou que a previsão de retorno foi dada por se completar 48 horas após o vazamento. "Neste período ocorre a vaporização de qualquer resíduo eventual", explicou o capitão. As famílias que foram removidas ficaram em casas de parentes e de vizinhos na própria vila, enquanto persiste o isolamento feito pelos Bombeiros e pela Defesa Civil.

Apesar de o risco de incêndios estar descartado, os bombeiros continuam monitorando a área. Um posto de comando móvel e um caminhão de combate a incêndios dos bombeiros estão dentro do terminal de álcool. "Os riscos são remotos", garantiu o capitão Emmanuel. Sete bombeiros continuam no local, além de soldados da Defesa Civil e de funcionários do Porto e terceirizados.

Investigação

Segundo a assessoria de imprensa da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), as causas do vazamento e o volume de álcool que vazou ainda estão sendo investigados. A Appa pedirá a abertura de inquérito policial para apurar o caso. No momento do vazamento a operação era de responsabilidade da Álcool do Paraná, uma das empresas credenciadas a operar no terminal. A reportagem não encontrou ninguém da empresa nesta terça-feira para comentar o assunto.

Questionamento judicial

Em novembro de 2008, a Justiça Federal acatou ação civil proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) e determinou a suspensão das atividades do terminal. A ação denunciou irregularidades ambientais da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina e nas licenças e autorizações concedidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para implantação e operação do terminal de armazenamento, embarque e desembarque de álcool. Segundo o MPF, a construção foi autorizada sem a necessária elaboração de um Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) e o respectivo Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (RIMA).

A retomada das operações no terminal foi autorizada há três semanas. No dia 22 de junho, a desembargadora do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) Sílvia Maria Gonçalves Goraieb cassou a liminar de primeira instância que impedia o funcionamento.

O terminal público para exportação de álcool do Porto de Paranaguá é o primeiro do país e foi inaugurado em outubro de 2007, com custo de R$ 13,7 milhões. Tem sete tanques com capacidade de armazenamento de 35 milhões de litros de álcool. Pelo terminal é embarcado qualquer tipo de álcool, desde carburantes até os usados nas indústrias de bebidas e farmacêutica.

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