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Para entender

Senadores governistas recuam e apoiam impeachment de Alexandre de Moraes

Os senadores Beto Faro (PT-PA), Fabiano Contarato (PT-ES), Teresa Leitão (PT-PE) e Marcelo Castro (MDB-PI) eram contrários ao impeachment de Alexandre de Moraes, em 2024, mas agora preferem não se manifestar sobre o tema. (Foto: Agência Senado/Carlos Moura/Ton Molina/Jefferson Rudy)

A base de apoio ao governo no Senado Federal apresenta fissuras em relação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Parlamentares que antes defendiam o magistrado agora optam pelo silêncio ou passam a assinar pedidos de afastamento. O movimento ganha força após a revelação de mensagens envolvendo o ministro e o fundador do Banco Master, além da proximidade das eleições.

Quais fatos recentes motivaram a mudança de postura dos senadores?

O cenário político mudou drasticamente após o levantamento do sigilo de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. As conversas revelaram detalhes sobre um contrato expressivo de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia da esposa do ministro, além da menção a benefícios de luxo e pedidos feitos pelo banqueiro pouco antes de sua prisão em 2025. Esses novos elementos fizeram com que a crise deixasse de ser vista apenas como uma disputa sobre liberdade de expressão e passasse a ser encarada sob uma ótica de ética e suspeita de corrupção.

Como os parlamentares estão reagindo diante dessas denúncias?

O comportamento dos senadores varia entre o silêncio estratégico e o apoio explícito ao impeachment. Pelo menos cinco senadores que defendiam Moraes em 2024 agora preferem não se manifestar. Por outro lado, parlamentares da base governista, como Chico Rodrigues, Leila Barros e Flávio Arns, mudaram de lado e passaram a apoiar a abertura do processo de afastamento. Rodrigues, por exemplo, mencionou que a gravidade das denúncias publicadas pela imprensa exigiu uma 'coragem cívica' para assinar o pedido, reforçando que ninguém, independentemente do cargo, deve estar acima da lei brasileira.

Qual é a explicação dos especialistas para esse recuo político?

Cientistas políticos explicam que a natureza do problema mudou de patamar. Inicialmente, as críticas a Moraes focavam em decisões judiciais polêmicas e suspensão de redes sociais, temas que muitos parlamentares toleravam em nome da defesa da democracia. Contudo, a entrada de suspeitas éticas e financeiras elevou o custo político da defesa do ministro. Além disso, o Congresso Nacional é extremamente sensível à opinião pública. Como o prestígio de Moraes está em declínio perante a população, manter uma defesa pública do magistrado tornou-se uma estratégia arriscada para quem busca a reeleição.

Qual o impacto das eleições no posicionamento do Senado?

A proximidade das eleições de outubro de 2026 funciona como um catalisador para essa migração de posicionamento. Os senadores precisam calcular o impacto eleitoral de suas alianças e declarações. Quando um assunto se torna impopular ou tóxico para o eleitorado, a tendência natural é que os políticos se afastem do tema ou mudem de opinião para refletir o desejo de suas bases. O recuo dos antigos defensores de Moraes é visto como uma 'posição estratégica' para evitar o desgaste político e retirar um assunto espinhoso do discurso eleitoral, priorizando a sobrevivência política nas urnas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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