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Tempo é fundamental para o sucesso da cirurgia

O percurso entre o momento em que a família aceita doar os órgãos de um parente com morte encefálica e a cirurgia de transplante requer muita agilidade. Correr contra o relógio é uma rotina dos médicos transplantadores que são acionados após a liberação do paciente pela Central de Transplantes. O prazo máximo é de quatro a seis horas entre a retirada do órgão e a implantação.

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Maioria quer doar órgãos, mas falta atitude

Quase 60% dos curitibanos (58,68%) gostariam de doar seus órgãos, mas só 32,23% adotaram medidas concretas para garantir que esse desejo seja cumprido, registrando a intenção em cartório ou comunicando a família. É o que revela levantamento da Paraná Pesquisas, feito com 605 moradores de Curitiba (todos maiores de 16 anos) sobre a questão.

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Um ato que salva vidas e ameniza a dor da perda

Há dois anos, a dona de casa Cecília Brito Teodoro, 53 anos, foi surpreendida durante uma cerimônia de casamento. Ao invés de jogar o buquê, como convém a tradição, a noiva preferiu dá-lo a Cecília de lembrança.

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  • Veja como funciona a captação de órgãos

De cada dez pessoas que têm morte encefálica no Paraná, somente uma tem seus órgãos transplantados. É o que aponta o levantamento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (Abto), com base no balanço de doações realizadas em 2008. No total, foram registradas 700 mortes encefálicas no estado, de acordo com os relatórios hospitalares. Do total, 326 pessoas foram consideradas doadoras em potencial, mas apenas 66 fizeram efetivamente a doação.

A subnotificação dos casos de morte cerebral, a deficiência na captação dos órgãos e a resistência da família ainda são obstáculos que impedem um maior crescimento do número de transplantes. No ano passado, os hospitais do Paraná realizaram 1.534 transplantes – cerca de 12% a mais do que em 2007, segundo o Ministério da Saúde. Mas a fila de espera é três vezes maior: são 4.536 pacientes que aguardam coração, córnea, esclera (branco do olho), fígado, pâncreas ou rim.

A Abto estima que o país tenha ao menos 10 mil mortes encefálicas por ano, mas só metade é notificada às centrais de captação. "A perda de 50% é um problema nacional", lembra Valter Duro Garcia. No Paraná, das 700 mortes cerebrais, 326 foram descartadas por falta de condições clínicas do doador ou porque não houve notificação da Central de Transplantes. Dos 374 possíveis doadores que restaram, 105 tiveram a recusa da família, 8 sofreram falência de outros órgãos e 93, contra-indicação médica. No fim do processo, o aproveitamento foi de menos de 10%.

"É preciso ter uma melhor organização na busca do doador", diz Garcia. O índice de doadores por milhão de habitantes no Paraná é de 6,4 – um pouco inferior à média nacional, que é de 7,2, e muito abaixo dos outros estados do Sul. Santa Catarina tem 16,7 doadores por milhão de habitante, e o Rio Grande do Sul, 12,2. "Esses estados superam as expectativas com índices superiores e muito acima da média nacional mostrando que organização hospitalar, capacitação dos profissionais envolvidos e sistema de informação são fatores que devem ser seguidos à risca pelos outros", afirma o presidente da Abto. A Espanha, por exemplo, tem a melhor taxa de doações do mundo, 33,8.

Captação

A subnotificação dos casos de mortes encefálica é um dos problemas apontados pela associação. Segundo portaria do Ministério da Saúde de 2006, todos os hospitais que têm acima de 80 leitos precisam formar Comissões Intra-hospitalares de Captação de Órgãos (Cidot’s) composta por uma equipe de, no mínimo, três pessoas. O credenciamento exige que a instituição faça a captação (identificação do provável doador) e a busca ativa (abordagem com a família) do doador sempre que perceber a morte encefálica ou por coração parado. Na opinião da assistente social Edi Glaucia Repula, da Central Estadual de Transplantes do Paraná, a rotatividade dos profissionais e a falta de efetivação das equipes são os principais empecilhos para que não haja um aumento no número de doadores. "A maioria (Cidot’s) existe somente no papel."

Ela afirma que, quando o médico intensivista percebe um caso de morte encefálica na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ele fica entre a "cruz e a espada". A maioria dos hospitais do Paraná sofre com a falta de leitos na UTI. Se houver a demora da liberação do protocolo pela Central, este paciente com morte cerebral vai ocupar um leito que poderia servir para um paciente em observação. "É comum ouvir: não notifico porque a Central fica me cobrando muitos exames", conta.

Para um médico responsável pelo transplante de órgãos, que não quer ser identificado, essa realmente é uma constatação infeliz, mas que faz parte do dia a dia das UTIs. "Falta preparo das equipes, que precisam notificar rapidamente. Além disso, muitas vezes não se notifica porque vai dar trabalho para o médico de plantão", afirma. "O ideal é que exista uma equipe própria que assuma a situação a partir da constatação da morte", diz.

Nos hospitais

Para os coordenadores inter-hospitalares das principais unidades de Curitiba e região metropolitana, é preciso haver mais sintonia entre o hospital e a Central de Transplantes. "É um trabalho em conjunto e afinado", diz o médico Carlos Gustavo Marmanillo, responsável pelo setor de transplantes do Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul.

O cirurgião vascular e coordenador da Cidot do Hospital do Trabalhador, José Carlos Roble, acredita que a abordagem da família e a clareza nas informações são fundamentais para o sucesso da doação. No ano passado, foram identificados 103 prováveis doadores no Hospital do Trabalhador, sendo que 62 famílias negaram e 41 efetivaram a doação. "Com a implementação de treinamentos e capacitações, conseguimos aumentar a aceitação da família em 40%", diz. Nos três primeiros meses de 2009, o hospital já realizou 22 abordagens. Somente 10 recusaram. O HT atende a 80% de casos motivados por traumas e somente faz captação de órgãos. "Em três anos e meio de retorno às atividades da Cidot, já tivemos 34% de positividade."

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Interatividade

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