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Olho vivo

Pendenga 1

Está longe ainda o dia em que se resolverá o problema do lixo de Curitiba e região metropolitana – empacado ainda no vaivém das decisões liminares da Justiça de primeiro grau. No mérito, as questões que paralisaram o processo de licitação ainda dependerão dos tribunais superiores, para onde certamente irão os descontentes de vários matizes.

Pendenga 2

Mas, além dos problemas judiciais, cresce também a resistência de alguns prefeitos da região metropolitana. O de São José dos Pinhais, Ivan Rodrigues, por exemplo, não está disposto a referendar sem discutir as decisões tomadas pelo consórcio que reúne Curitiba e outros 16 municípios da região metropolitana – e do qual São José dos Pinhais faz parte. Aliás, discorda até mesmo do projeto de implantação da usina de industrialização do lixo tal como foi concebido.

Pendenga 3

Para ele, concentrar todo o lixo das 17 cidades num só lugar e numa só unidade de industrialização é uma temeridade. "Se houver uma greve lá, pra onde vai o lixo nos dias de paralisação?" Ivan é favorável à descentralização, inclusive com o uso de diferentes tecnologias. Segundo seu procurador-geral, Luiz Carlos Rocha, São José quer ver respondidas essas e outras questões antes de assinar qualquer papel – opinião que passou a ser compartilhada por pelo menos outros cinco municípios. O atual aterro, Caximba, tem vida útil até dezembro.

A cada dia que passa as incertezas se desmancham e dão lugar à clareza de um quadro que já se afigura definitivo, sem volta. Se havia, por exemplo, alguma dúvida de que Beto Richa estava disposto a atropelar a aliança com Osmar Dias e a enterrar as pretensões de Alvaro Dias (seu concorrente dentro do PSDB), essa dúvida já deixou de existir. Com praticamente todas as notas da escala musical, o prefeito entoou anteontem o hino de sua própria candidatura em entrevista a uma rádio da capital.

Portanto, de sua parte, já não há o que se ouvir a respeito de pretensas vontades de manter unido o grupo a que pertencia, e nem de calcular os riscos políticos de abandonar a prefeitura de Curitiba após 15 meses de mandato. É candidato a governador e ponto final. Dessa condição só se afastará por uma medida de força dos tucanos nacionais, preocupados com a possibilidade de perder votos paranaenses. O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, segundo disse a um interlocutor recentemente, calcula em 1,5 milhão de votos o prejuízo que terá no Paraná – votos que saem do seu farnel para engordar o de Dilma Rousseff, ajudada pela aliança com Osmar Dias.O tempo de eventuais mudanças de rumo ditadas pelas esferas nacionais do PSDB, no entanto, já teria se esgotado. Atropelados pela rapidez dos acontecimentos, os tucanos de bico grande já se sentem pouco à vontade para ditar outras regras – apesar do inconformismo.Animado por tais circunstâncias, Beto Richa não só põe o pé na estrada para conquistar adeptos no interior como, também, organiza sua campanha. Já há até um grupo encarregado de formular seu plano de governo. É chefiado por Homero Giacomini, presidente do Instituto Municipal de Administração Pública.Consolidadas a candidatura de Richa e a cisão da frente partidária de que fazia parte também o senador Osmar Dias, consolida-se também com a mesma força e intensidade a aliança deste com o PT, a cada dia mais irreversível. Ainda ontem, Osmar foi um dos passageiros da seleta primeira classe do Aerolula, que trouxe o presidente a Curitiba para a posse do desembargador Ricardo Fonseca no Tribunal Regional do Trabalho.Se a conversa dentro do avião foi leve e sobre assuntos gerais, como descreveu o ministro Paulo Bernardo, a carona dada pelo presidente a Osmar serviu mais como símbolo de que as questões políticas entre eles estão bem arranjadas. Ou seja, de que PT e PDT vão mesmo, juntos, confrontar-se diretamente com Beto Richa – e não se fala mais nisso.A dúvida que persiste é se o PMDB e o governador Roberto Requião estarão do lado desta frente. Embora importante, este fato virou um pormenor a ser administrado ao longo dos próximos meses. Pois nos próximos meses, até a última hora se puder, Requião continuará tentando valorizar seu passe.Querem-no como parceiro tanto o PSDB de José Serra, quanto Lula e o PT de Dilma Rousseff. Requião vai ficar no jogo de "quem der mais" – isto é, ganhará seu eventual apoio o lado que mais vantagens lhe oferecer para eleger-se senador. Quanto ao seu candidato ao governo, o vice Orlando Pessuti – bem, este Requião vê depois o que fazer com ele.

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