| Foto: Brunno Covello/Gazeta do Povo

O ex-deputado Pedro Corrêa (PP), condenado no mensalão e preso pela Lava Jato, deve voltar para o Complexo Médico Penal de Pinhais. Ele está preso na carceragem da Polícia Federal de Curitiba porque estava negociando um acordo de colaboração premiada. Nos bastidores, a expectativa era de que Corrêa revelasse nomes de políticos do alto escalão que estariam envolvidos no esquema da Lava Jato, inclusive o de Lula. Mas as tratativas para fechar a delação esfriaram. Quem também deve deixar a carceragem da PF é a doleira Nelma Kodama e seu braço direito, Iara Galdino. Segundo fontes das investigações, a colaboração premiada das duas também não vingou. Elas teriam entregado muitos participantes do esquema, mas nenhuma prova.

CARREGANDO :)

Robin Hood da Lava Jato

CARREGANDO :)

Pedro Corrêa admite que recebeu propina da corrupção na Petrobras e acredita que será condenado. Mas já alertou que, caso receba multas milionárias como punição, não poderá pagar a conta. Ele teria dito que doou tudo o que recebeu para os pobres. E que, se disputasse as eleições, conseguiria se eleger senador por Pernambuco, sua terra natal, por causa de suas “boas ações”.

Tiro pela culatra

O manifesto de alguns advogados contra a Lava Jato repercutiu na força-tarefa da operação. Positivamente. “É um reflexo de que o trabalho está muito bom. O conteúdo de provas é muito bom. Para nós, o manifesto foi encarado como um sinal de desespero das defesas”, diz um integrante da investigação.

Publicidade

Desculpa

Um advogado paranaense ligado à Lava Jato diz que o manifesto pode ser visto como uma espécie de desculpa: “Os advogados não têm o que falar para seus clientes. Estão cobrando honorários na casa dos milhões e o cliente está preso”.

Outro ritmo

A queixa dos defensores contra a Lava Jato, diz o paranaense, reflete ainda um ritmo ao qual eles não estão acostumados. “Os advogados do Rio e São Paulo estão acostumados com os juízes do Rio e São Paulo”, afirma. Segundo ele, a Justiça Federal está mais eficiente e a advocacia precisa se reinventar.

Rixa e questão de mercado

Há quem ache ainda que o manifesto é produto de uma guerra entre defensores de São Paulo e Rio contra os profissionais do Paraná. Poucos advogados paranaenses assinaram a nota. Outro defensor que atua na Lava Jato afirma que o fato de o maior caso do direito penal do país estar se passando fora do eixo Rio-São Paulo incomoda os advogados de destaque nacional. “Tem toda uma questão de mercado para se analisar”, diz ele.