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O Palácio Iguaçu, sede do governo do estado | Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo/Arquivo
O Palácio Iguaçu, sede do governo do estado| Foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo/Arquivo

Para a grande maioria da população, atolada nos afazeres e preocupações do dia a dia, dois anos são uma eternidade. Para a classe política, dois anos é amanhã. Apesar de faltar todo esse tempo para a eleição ao governo do Paraná, em outubro de 2018, três pré-candidatos já se apresentaram para a disputa. Passados menos de dez dias do fim dos pleitos municipais, esse tem sido o assunto principal nos círculos de poder do estado.

Por ora, os nomes que pretendem participar da eleição que definirá o próximo ocupante do Palácio Iguaçu são o ex-senador Osmar Dias (PDT); a vice-governadora Cida Borghetti (PP); e o secretário estadual do Desenvolvimento Urbano, Ratinho Jr. (PSD). A eles, poderão se somar nas próximas semanas políticos de oposição ao governador Beto Richa (PSDB), entre eles petistas e o senador Roberto Requião (PMDB).

Com focos diferentes, irmãos Dias ressurgem como protagonistas para 2018

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Pelo menos dois motivos ajudam a explicar a antecipação tão prematura do embate de 2018. Um deles foi o acirramento da eleição para prefeito de Curitiba, que colocou Richa ao lado de Rafael Greca (PMN) numa ponta contra Ratinho e Ney Leprevost (PSD) na outra. Os ataques entre os dois candidatos marcaram todo o segundo turno, a ponto de o governador cobrar do próprio secretário o tom que Leprevost adotou contra ele no horário eleitoral. Esse cenário se refletiu nas urnas, que deram a vitória a Greca por uma diferença de apenas 6,5 pontos porcentuais.

Em Maringá, onde também houve segundo turno, os campos políticos se dividiram entre o grupo da família Barros, do qual faz parte Cida Borghetti, e aliança Ratinho e Osmar Dias. “Isso acentuou demais a largada para 2018. Não houve um político relevante do estado que não participou ou não se envolveu na eleição de Curitiba”, avalia um deputado estadual da base aliada.

Sem reeleição

Outro fator decisivo para o início precoce da discussão das próximas eleições passa pela impossibilidade de Richa disputar a reeleição. “O governador sempre aglutina a maioria das lideranças em torno de si. Se ele não é candidato, todos ficam automaticamente liberados para ir para a disputa”, conta outro parlamentar.

Em tese, o tucano tende a renunciar ao cargo no final de março de 2018 para poder disputar uma das duas cadeiras que estarão disponíveis no Senado pelo Paraná. Como reflexo desse buraco que o mundo político local considera aberto desde já, todas as forças já se movimentam na busca de garantir a costura de apoios e alianças.

Diretor do Instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo explica que o anúncio de pré-candidaturas nos últimos dias faz parte da estratégia de marcar território na conquista de aliados. Ele alerta, no entanto, para os riscos de se apresentar tão cedo para a disputa. “É preciso cuidado para não virar vidraça desde já. O ideal é marcar posição e recolher o time de campo. Dizer publicamente que é candidato e parar por aí”, afirma.

Divisão eleitoral não deve ter reflexos na Assembleia

Apesar de o governador Beto Richa (PSDB) ter em sua base dois pré-candidatos para sucedê-lo – Cida Borghetti (PP) e Ratinho Jr. (PSD) – e de aliados do tucano ainda defenderem um terceiro caminho, numa aliança com Osmar dias (PDT), a chance de esse embate eleitoral precoce rachar a base aliada na Assembleia Legislativa é muito pequena.

Prefeitos dependem da ponte feita por deputados para conseguir recursos do governo do estado. E deputados precisam do apoio dos prefeitos para conseguirem se reeleger. Nesse jogo de interesses, se um parlamentar aliado rompe com o Executivo, os prefeitos que ele representa tendem a ser pragmáticos: buscam outro deputado que seja a voz deles no Palácio Iguaçu. Portanto, vale mais à pena, ao menos por ora, permanecer governista.

Tudo deve mudar de figura, entretanto, a partir de abril de 2018. É quando Richa terá de decidir seu próprio futuro − concluir o mandato ou renunciar para disputar o Senado – e quem apoiará na eleição para o governo. “É quando as coisas se definirão. Ir de Osmar significa tornar a Cida candidata de oposição e jogá-la nos braços do Requião. Mas tudo dependerá da conjuntura política até lá”, avalia um parlamentar.

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