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Um dos fundadores do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), Pietro Mutti, afirmou em entrevista à revista italiana Panorama que seu ex-companheiro Cesare Battisti "era e continuou sendo mais um pequeno delinquente do que um extremista político". Em seu último dia no poder, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não extraditar Battisti, gerando uma divergência com a Itália, onde o ex-ativista foi condenado à prisão.

Mutti afirma que a adesão de Battisti ao grupo de extrema-esquerda não foi uma tomada de posição ideológica. "Ele se juntou a nós mais para escapar de seus problemas com a lei do que por ideal político", disse. O ex-colega qualificou Battisti como "o mais inteligente de todos". "Ele enganou todos e agora provavelmente vai curtir sua vida sem nunca ter pago por seus pecados", avaliou.

O italiano ainda afirmou ter visto "com meus olhos" Battisti matar o marechal da polícia penitenciária Antonio Santoro. "Quando o marechal saiu, Battisti disparou por trás dele (três tiros, dois à queima roupa na cabeça, com um revólver Glisenti calibre 10.20)", afirmou. Mutti ainda recordou a sensação no dia do atentado. "Eu me lembro da adrenalina para o primeiro assassinato, mas não havia nenhuma alegria ou desespero. Para nós esta foi uma operação militar. Você tinha de agir. Ponto".

Segundo Mutti, Battisti contou a ele na época ter sido o autor material do homicídio do agente penitenciário Andrea Campagna. A revista disse que Battisti já acusou o entrevistado de mentiroso anteriormente, mas Mutti lembrou que as condenações de Battisti não foram baseadas apenas em seus testemunhos. "Ele foi acusado e julgado por juízes muito importantes que não acredito terem se enganado pelo meu depoimento".

Questionado sobre uma foto de Battisti sorrindo algemado, tirada no Brasil, Mutti disse ver o mesmo companheiro de três décadas atrás. "Ele sempre foi um cara inteligente, um cara arrogante. Mas quando eu olho para aquele sorriso, eu acho que ele foi o mais esperto de todos. Quem se ferrou, me desculpe a vulgaridade foi a justiça italiana".

A Panorama lembra na entrevista que, com pouco mais de 20 anos de idade, Battisti já havia sido condenado por vários assaltos, entrando e saindo várias vezes de cadeias italianas. No início de 1978, ele procurou refúgio em Milão, onde estava em contato com Arrigo Cavallina, ideólogo do PAC, conhecido por ele na prisão de Údine.

Há 30 anos, Mutti chefiou um comando para libertar Battisti da cadeia de Frosinone, onde ele estava detido após uma condenação de 12 anos por assaltos armados. Battisti acabou fugindo ao lado de um membro da Camorra, a máfia napolitana. Mutti diz que "nós não surpreendemos" pela companhia criminosa de Battisti na fuga.

A revista relata que Mutti participou de 45 roubos à mão armada e matou um homem, mas depois tornou-se colaborador da Justiça italiana e cumpriu oito anos de prisão. Hoje vive em Milão. Já Battisti fugiu para Bolonha, saindo depois da Itália e seguindo para França, México, retornando à França e, em 2004, chegando ao Brasil. "Tenho certeza de que, mesmo se o Brasil o tivesse extraditado para a Itália, antes que ele pudesse voltar ia escapar novamente e mudar para outro lugar", afirmou Mutti. "Para a Itália, de qualquer jeito, ele nunca vai voltar", disse o ex-companheiro.

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