
Eu vejo muitos analistas falando: onde é já que se viu? Está tudo totalmente fora do rito processual. Ministro que não é relator, juiz que não tem nada a ver com a causa, dá ordens para a Polícia Federal entregar resultado de investigações. É o caso de Alexandre de Moraes, de Cristiano Zanin e de Gilmar Mendes. Zanin foi advogado de Lula; Gilmar se comporta como decano que deseja controlar tudo, mostrar que é mais forte que o presidente; e Moraes é parte interessada.
André Mendonça já avisou. O que temos em alguns dos celulares de Daniel Vorcaro já é suficientemente grave para se abrir um inquérito administrativo afastando os envolvidos e fazer uma investigação que leve a uma ação criminal por obstrução de Justiça, corrupção passiva, omissão, advocacia administrativa. Tudo isso é possível, mas é preciso continuar a investigação; se escapar alguma coisa que ainda não foi revelada, pessoas poderiam ser surpreendidas com busca e apreensão, para entregar celulares e provas que ainda existem, serão avisadas, destruirão provas, praticarão obstrução de Justiça e complicarão a investigação. E então eu questiono: induzir as pessoas à obstrução de Justiça não é praticar obstrução de Justiça?
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Quem deixou Moraes fazer o que bem entendia traiu a Constituição
Todos os que assumem cargos nos três poderes juram cumprir e defender a Constituição – o presidente da República, por exemplo, fez esse juramento diante do Congresso Nacional. A Constituição exige que um ministro do Supremo tenha reputação ilibada. Reputação é aquilo que se pensa da pessoa, é o referencial, a fama da pessoa. Reputação não exige prova. No dia em que se mostrou o contrato de R$ 131 milhões, a reputação de Moraes deixou de ser ilibada porque apareceu uma mancha, uma desconfiança, uma suspeita. Mas aqueles que juraram defender a Constituição ficaram calados, se omitiram, descumpriram o juramento, foram perjuros. Todos eles: o presidente do Senado, o presidente da República, o presidente do Supremo.
Isso é muito grave, e explica por que o Supremo está ruindo. Não é obra de aviões da Al-Qaeda, nem do pessoal do 8 de janeiro. O estrago que os manifestantes fizeram nem se compara à desmoralização, ao descrédito, à desconfiança nos atos de alguns daqueles que deveriam ser exemplo para todos os juízes do país.
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É isso que estará em jogo nesta terça-feira, dia 15. Alguns ainda tentarão adiar, e percebemos que uns ficam ao lado das malfeitorias, enquanto outros querem limpar os nódulos nas vestes que deveriam ser cândidas, embora de cor preta. Vemos a divisão dentro da corte, o absurdo de ministros que não querem esclarecer nada. E por que não querem esclarecer? Porque estão envolvidos. Está tudo óbvio, claro, transparente para qualquer pessoa que enxergue com raciocínio e não com emoções partidárias – que até podemos entender, porque faltam 20 dias para as eleições, mas que não podem determinar tudo.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



