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Alexandre Garcia

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STF

Em véspera de julgamento decisivo, ministros bagunçam a investigação do Master

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Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do STF. (Foto: Luiz Silveira/STF)

Eu vejo muitos analistas falando: onde é já que se viu? Está tudo totalmente fora do rito processual. Ministro que não é relator, juiz que não tem nada a ver com a causa, dá ordens para a Polícia Federal entregar resultado de investigações. É o caso de Alexandre de Moraes, de Cristiano Zanin e de Gilmar Mendes. Zanin foi advogado de Lula; Gilmar se comporta como decano que deseja controlar tudo, mostrar que é mais forte que o presidente; e Moraes é parte interessada.

André Mendonça já avisou. O que temos em alguns dos celulares de Daniel Vorcaro já é suficientemente grave para se abrir um inquérito administrativo afastando os envolvidos e fazer uma investigação que leve a uma ação criminal por obstrução de Justiça, corrupção passiva, omissão, advocacia administrativa. Tudo isso é possível, mas é preciso continuar a investigação; se escapar alguma coisa que ainda não foi revelada, pessoas poderiam ser surpreendidas com busca e apreensão, para entregar celulares e provas que ainda existem, serão avisadas, destruirão provas, praticarão obstrução de Justiça e complicarão a investigação. E então eu questiono: induzir as pessoas à obstrução de Justiça não é praticar obstrução de Justiça?

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Quem deixou Moraes fazer o que bem entendia traiu a Constituição 

Todos os que assumem cargos nos três poderes juram cumprir e defender a Constituição – o presidente da República, por exemplo, fez esse juramento diante do Congresso Nacional. A Constituição exige que um ministro do Supremo tenha reputação ilibada. Reputação é aquilo que se pensa da pessoa, é o referencial, a fama da pessoa. Reputação não exige prova. No dia em que se mostrou o contrato de R$ 131 milhões, a reputação de Moraes deixou de ser ilibada porque apareceu uma mancha, uma desconfiança, uma suspeita. Mas aqueles que juraram defender a Constituição ficaram calados, se omitiram, descumpriram o juramento, foram perjuros. Todos eles: o presidente do Senado, o presidente da República, o presidente do Supremo.

Isso é muito grave, e explica por que o Supremo está ruindo. Não é obra de aviões da Al-Qaeda, nem do pessoal do 8 de janeiro. O estrago que os manifestantes fizeram nem se compara à desmoralização, ao descrédito, à desconfiança nos atos de alguns daqueles que deveriam ser exemplo para todos os juízes do país.

É isso que estará em jogo nesta terça-feira, dia 15. Alguns ainda tentarão adiar, e percebemos que uns ficam ao lado das malfeitorias, enquanto outros querem limpar os nódulos nas vestes que deveriam ser cândidas, embora de cor preta. Vemos a divisão dentro da corte, o absurdo de ministros que não querem esclarecer nada. E por que não querem esclarecer? Porque estão envolvidos. Está tudo óbvio, claro, transparente para qualquer pessoa que enxergue com raciocínio e não com emoções partidárias – que até podemos entender, porque faltam 20 dias para as eleições, mas que não podem determinar tudo.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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