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Alguns setores importantes da sociedade, especialmente as ligadas ao setor produtivo do país, iniciaram um debate super discreto nesta semana sobre como pressionar os Três Poderes a uma reforma do Judiciário. O que mais se discute é a mudança no modelo de indicação de ministros para as altas cortes, ou, no mínimo, um mandato para ministros do STF e STJ.
Desde 2018, depois em 2023 e 2025 a Coluna faz publicações a respeito, comparando casos de outros países que já adotam mandatos para juízes das altas cortes, como Alemanha (12 anos), Bolívia (10), França (9 anos), Venezuela (12 anos) e Argentina (5 anos com possibilidade de recondução).
No Peru e na Bolívia os ministros são escolhidos por conselhos de notáveis e representantes do Congresso Nacional. No Brasil, ministros do STF parecem reis. Aprovaram (com o Congresso) a EC 88/2015 (PEC da Bengala), para ficarem até os 75 anos na poltrona, além de não se submeterem a nenhum órgão fiscalizador: nem o CNJ tem poder para questioná-los.
A ambição de Dino
Quem o conhece bem de perto há anos, e sabe dos bastidores, crava que o STF é apenas uma passagem. O sonho do ex-deputado, ex-governador e ex-senador Flávio Dino – hoje ministro do Supremo – é ser o candidato de Lula da Silva à Presidência da República em 2030. O tempo o dirá, ou não. Registre-se.
Troca de candidato
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, deve pressionar o empresário Paulo Octávio – ex-senador e ex-deputado – a substituir José Roberto Arruda na candidatura ao governo do DF. É certo no partido que o TSE vai limar a candidatura sub-judice de Arruda, já derrubada pelo TRE, a despeito da nova lei da Ficha Limpa que, na interpretação do candidato, lhe daria direito a concorrer pelo tempo corrido de sua condenação judicial.
Todos os lados
O empresário Antônio Freixo Junior, o Mineiro, que em delação citou transações com Flávio Bolsonaro e o filme Dark Horse, tem relações pessoais com o senador Jaques Wagner (PT-BA). Mineiro, um dos “caixas” de Vorcaro do Master, é cotista do fundo Gardênia junto com dois amigos do parlamentar: o advogado Ângelo Rezende, que já advogou para Wagner, e o publicitário Guilherme Sodré, enteado do senador.
Tão perto...
O ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União), candidato ao Senado, e o deputado federal Fábio Garcia (União), ambos investigados pela Operação Heritage da PF, que apura o desvio de R$ 308 milhões de dinheiro da Oi no estado, ficaram lado a lado em palanque em Sinop (MT). Tem gente que os viu no mesmo avião.
Rei do biodiesel
O Rei do Biodiesel, que doou R$ 500 mil (para cada) a Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, enviou a seguinte nota: “Erasmo Carlos Battistella esclarece que a doação mencionada foi realizada como pessoa física, dentro dos limites estabelecidos pela legislação eleitoral brasileira. O empresário reafirma o seu compromisso com as melhores práticas de governança, integridade e transparência”.
Ponto final
Ou o presidente do STF Edson Fachin controla com mão de ferro as vaidades (até ideológicas) de seus colegas, ou a Corte vai virar um cabaré, com direito a briga de faca e porrada. Fachin precisa se mexer.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Leandro Mazzini é jornalista desde 1996. É graduado pela FACHA-Rio e pós-graduado em Ciência Política na UnB. Foi colunista do Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Revista Isto É, Portais iG e UOL. Apresentou programas na Rede Vida de TV (2010 a 2014) e na Band TV Rio (2023 a 2025). Edita a Coluna Esplanada com equipes de Brasília, Rio e SP, reproduzida em jornais de todas as capitais. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




