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O jurista Marco Aurélio Mello, que passou 31 anos de sua vida como ministro do Supremo Tribunal Federal, sugere que seu ex-colega Alexandre de Moraes procure ajuda profissional de algum praticante das ciências psicológicas – e presumivelmente com urgência. É para o seu próprio bem, mas é, sobretudo, para o bem de quem lhe paga os vencimentos e tem o direito de receber dele os serviços devidos à sua função pública. Estamos pagando. Mas não estamos recebendo de volta o que o ministro tem obrigação de entregar.
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É o exato contrário. Moraes, já há anos e em modo cada vez mais extremo, vem usando o seu cargo para impor uma situação de terra arrasada na ordem jurídica brasileira. Por interesses políticos puros, simples e chocantes, substituiu a Constituição Federal por uma maçaroca de regras pessoais – e é com elas, sem o controle de ninguém, que passou a dizer o que é permitido e o que é proibido neste país. Mais do que qualquer um de seus colegas, decretou o Regimento Interno do STF como lei suprema da República. Suas decisões têm sido vitais para o fim da segurança jurídica no Brasil.
Há seis anos, desde que começou a escalada totalitária que o transformou no maior ídolo da extrema esquerda nacional, Moraes dá a mesma resposta – exatamente a mesma – para toda crítica a ele e a seus despachos, por mais cautelosa e educada que seja: calem a boca, porque vocês não entendem nada de Direito e não sabem do que estão falando.
Não é apenas grosseiro. É falso. Ele é uma autoridade pública e pode, sim, ser criticado a qualquer momento por qualquer decisão capaz de afetar a vida de qualquer cidadão. E agora? Ainda outro dia, teve de engolir um manifesto de 15 mil advogados denunciando as barbaridades do STF. Não dá também para sustentar que o ex-ministro Marco Aurélio é um idiota que só dá palpite infeliz.
Alexandre de Moraes deixou de ser um magistrado há muito tempo e se tornou uma combinação de carcereiro, operador de célula política a favor do governo Lula e falsificador-geral da legislação em vigor. Deixou, também, de ser um caso da vida pública e passou a ser um caso clínico. Seu problema, como diz Marco Aurélio, talvez já não tenha mais de ser resolvido pelo Senado. O que parece realmente estar faltando é um bom atestado médico.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

J.R.Guzzo é jornalista. Começou sua carreira como repórter em 1961, na Última Hora de São Paulo, passou cinco anos depois para o Jornal da Tarde e foi um dos integrantes da equipe fundadora da revista Veja, em 1968. Foi correspondente em Paris e Nova York, cobriu a guerra do Vietnã e esteve na visita pioneira do presidente Richard Nixon à China, em 1972. Foi diretor de redação de Veja durante quinze anos, a partir de 1976, período em que a circulação da revista passou de 175.000 exemplares semanais para mais de 900.000. Nos últimos anos trabalhou como colunista em Veja e Exame. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



