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Luís Ernesto Lacombe

Luís Ernesto Lacombe

Vorcaro e os supremos

Brasil já desperdiçou muitas chances de se endireitar. Perderá mais uma?

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Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estão enrolados com Daniel Vorcaro, banqueiro acusado de fraude bilionária. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

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Quantas chances para se endireitar nosso país ainda vai desperdiçar? O economista e político Roberto Campos estava certíssimo quando disse o seguinte: “O Brasil nunca perde uma oportunidade de perder oportunidades”. A questão é que pode chegar a hora em que estaremos num caminho sem volta. Ou reféns de séculos e séculos para dar jeito no que foi destruído em cerca de duas décadas. Sim, eu poderia ter recuado muito mais no tempo, e lá estaríamos igualmente entregues a desmandos, a casos de corrupção, a falcatruas e politicagens das mais sórdidas e variadas. Resolvi começar pelo escândalo do mensalão promovido sem dó pela turma do Lula ainda em seu primeiro mandato.

O esquema de compra de votos na Câmara dos Deputados, com pagamentos mensais a parlamentares, estourou em 2005. O julgamento do caso só começou no STF depois de sete anos e acabou com a condenação de 25 envolvidos. As primeiras prisões foram feitas em 2013. Petistas famosos como José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e João Paulo Cunha passaram períodos detidos em regime fechado ou semiaberto. Até que foram beneficiados pela despreocupação das nossas leis com o caráter punitivo da prisão. Eles obtiveram progressão de regime, liberdade condicional ou o perdão da pena. E o STJ ainda encontrou “erros processuais do Ministério Público” nas ações civis por improbidade administrativa associadas ao caso, e foi tudo anulado.

As suspeitas que recaem sobre ministros do STF são gravíssimas, e o Brasil tem nova chance de se endireitar

José Dirceu e Delúbio Soares agora são candidatos a deputado federal. Assim como Lula está livre para concorrer à reeleição. O atual ocupante do Palácio do Planalto escapou do mensalão, mas caiu no petrolão. Seus companheiros no Supremo trataram de libertá-lo e habilitá-lo para, de novo, concorrer à Presidência. E ainda promoveram uma campanha eleitoral em 2022 absolutamente desequilibrada. Em seguida, a Lava Jato foi toda destruída por manobras dos magistrados. Não sobrou nada. Havia réus confessos, uma fortuna recuperada, mas o quadro que se impôs foi esse: frequência passou a determinar normalidade. Se os casos de corrupção são comuns, que sejam considerados aceitáveis.

Os abusos, arbítrios e as ilegalidades praticados por ministros do STF também se multiplicaram. E pouquíssima gente reagiu. A imprensa tratou de enxergar nos absurdos uma forma de “defender a democracia”. E vieram informações de ligações do ministro Dias Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro, com o grupo JBS. E vieram informações da proximidade de Alexandre de Moraes com o ex-dono do Banco Master. As suspeitas são gravíssimas, e o Brasil tem nova chance de se endireitar. Estamos entregues agora a especulações, à futurologia. Fôssemos um país sério, se nosso passado atestasse isso, estaríamos, mais uma vez, diante do ponto de virada. Só que o que nos restou, vítimas de tanta tortura, foram a esperança rarefeita e uma dúvida doída de como seguir lutando pelo Brasil de verdade.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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