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Aos 11 anos, Francisco Vieira viu a própria história mudar de forma abrupta. Em julho de 1981, o pai, Tomaz Edison de Andrade Vieira, então presidente do Banco Bamerindus, morreu em um acidente aéreo no Paraná que também vitimou seu irmão e sobrinhos. A tragédia interrompeu a infância de Francisco e marcou o início de uma trajetória atravessada por perdas, desafios financeiros, empreendedorismo, espiritualidade e sucessivos recomeços. Essa história é contada em "Enquanto Houver um Próximo Passo - Uma história de fé, família e recomeços", autobiografia publicada pelo Clube de Autores.
O autor, conhecido por amigos e familiares como Kiko, recupera memórias e episódios que ajudaram a formar sua visão sobre trabalho, responsabilidade e resiliência. Um dos principais personagens dessa trajetória é a mãe, Dona Didi, que passou a conduzir sozinha a criação dos quatro filhos. Em meio às dificuldades provocadas pela perda do marido e às pressões sobre o patrimônio familiar, ela manteve a família unida e transmitiu valores como disciplina, ética, fé e responsabilidade.
A relação com o Bamerindus ocupa parte importante da narrativa. Fundado em 1929 pelo avô, Avelino Antonio Vieira, o banco tornou-se um dos símbolos da família e marcou gerações. Francisco começou a trabalhar na instituição em funções operacionais, como escriturário, e chegou à gerência geral de agências. Também acompanhou de perto a crise dos anos 1990 e a intervenção do Banco Central, episódio que representou a perda do controle familiar sobre a instituição e impulsionou uma nova etapa profissional.
A partir daí, a trajetória de Francisco passa por diferentes negócios e experiências. Ao lado do irmão Avelino, participou da gestão de empresas do grupo, atuou nos setores de consórcios e concessionárias e também na fazenda da família, além de empreender nos Estados Unidos e participar de um grupo de mídia ligado ao site HowStuffWorks. Também se envolveu com artes marciais, experiência que o aproximou dos bastidores do Muay Thai e da Chute Boxe.
Os erros empresariais ganham espaço na autobiografia com relatos de prejuízos, sociedades que terminaram e decisões que o fizeram rever sua maneira de conduzir negócios. Uma das lições que sintetizam essa fase é a ideia de “cair para a frente”: transformar a queda em movimento e reduzir a distância até o próximo recomeço. Como marco central de sua reinvenção pessoal e profissional, Francisco encontrou um novo propósito ao criar O Padeiro Artesanal (OPA), um projeto e marca de pães artesanais de fermentação natural, que não está mais ativo, mas que nasceu de maneira despretensiosa na cozinha de sua casa durante a pandemia.
O empreendimento começou a partir de um pedido de sua filha Nina e rapidamente se expandiu da família para vizinhos e encomendas nas redes sociais. Muito além de um negócio, o OPA tornou-se a grande metáfora de sua maturidade: uma prática em que o fazer do pão exige desaceleração, paciência, respeito ao tempo natural de maturação e valorização das coisas simples. Dando continuidade a esse movimento de busca e evolução, aos 55 anos Francisco iniciou um MBA em Inteligência Artificial Aplicada a Negócios e desenvolveu o aplicativo NutriWell.
A espiritualidade aparece ainda como outra dimensão dessa jornada. A convivência com o mentor Akbar levou o autor a refletir sobre medo, ego e inteligência emocional, além do conceito da “jornada de 30 centímetros entre a mente e o coração”, que representa a busca por equilíbrio entre racionalidade, sensibilidade e empatia. Na vida familiar, Francisco revisita a relação com a esposa, Djuna, e com as três filhas, Manoela, Francesca e Angelina. A paternidade tornou-se, segundo ele, uma oportunidade de reconhecer erros e compreender que presença e afeto são construídos diariamente.
Em Enquanto Houver um Próximo Passo, Francisco Vieira não apresenta uma trajetória sem quedas. Ao contrário, parte justamente das perdas, dos erros e das mudanças de rota para defender a ideia de que nem sempre é possível escolher o que acontece, mas é possível decidir como seguir depois disso. Para o autor, enquanto houver fé, amor e coragem para continuar caminhando, uma queda não precisa representar o fim da história.
Ficha Técnica
Título: Enquanto Houver um Próximo Passo - Uma história de fé, família e recomeços
Autoria: Francisco Vieira
Editora: Clube de Autores
ISBN: 978-65-266-8711-6
Páginas: 204
Preço: R$ 57,50 (físico) / R$ 30,75 (e-book)
Onde encontrar: Clube de Autores, Amazon e no site do livro
Sobre o autor
Francisco Vieira é neto de Avelino Antonio Vieira, fundador do Banco Bamerindus. Cresceu acompanhando de perto a história de uma das instituições financeiras mais importantes do país, até perder, aos 11 anos, o pai, Tomaz Edison de Andrade Vieira, então presidente do banco, em um acidente aéreo. Aos 18 anos, iniciou sua trajetória profissional no Bamerindus, onde trabalhou por uma década e vivenciou a intervenção e o colapso da instituição. Desde então, construiu novos caminhos no mercado imobiliário, em fintechs, tecnologia e inteligência artificial, acumulando experiências que também redefiniram sua relação com negócios, família e propósito. É autor de Enquanto Houver um Próximo Passo: Uma história de fé, família e recomeços.

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