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O Copom deve cortar novamente a Selic. E agora, investidor?

  • Por Roberto Indech
  • [15/06/2020] [18:36]
Copom deve cortar mais uma vez a taxa de juros.
A expectativa do mercado é de que a taxa de juros caia a 2,25% ao ano. E agora, investidor?| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na próxima quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária do Banco Central irá decidir a meta da taxa Selic para o próximo período e a grande expectativa do mercado é de que a taxa de juros no Brasil caminhe para 2,25% ao ano, tendo um corte de 0,75 p.p. nessa reunião. Com a decisão (se confirmada) teremos novamente a menor taxa de juros da história em nosso país. Todo esse movimento de cortes sucessivos que temos acompanhado ao longo dos últimos meses é dado por uma série de razões. Dentre as principais podemos colocar a fraqueza da economia e o recuo da inflação medida pelo IPCA.

E isso, na prática, que mudanças provoca para o pequeno investidor? Na minha visão são pontos bastante relevantes, de acordo com os objetivos que relaciono abaixo:

Reserva de emergência

Como o próprio nome diz, reserva de emergência significa ter o recurso para utilizar em momentos de necessidade, como desemprego, problemas de saúde na família, entre outros. Não há uma regra sobre quanto ter nesta conta, mas alguns especialistas sugerem algo como 6 meses de remuneração. E tudo isso independe de qual a taxa Selic no momento, se está 1% ao ano ou 15% ao ano.

Vale destacar que, para investimentos que tenham este objetivo, recomendo Tesouro Selic, CDBs de bancos médios e pequenos que pagam próximo de 100% do CDI ou fundos de investimento conservadores em renda fixa que cobrem taxas de administração abaixo de 0,2% ao ano. Alguns poderiam questionar sobre a poupança, mas vale lembrar que esta rende 70% da taxa de juros, ou seja, irá para 1,6% ao ano caso a Selic de fato caia a 2,25%. Ademais, há o “mêsversário”, onde aquele que aplica o recurso só terá retorno após completado este período.

Por fim, destaco que reserva de emergência e reserva de oportunidade deveriam ser consideradas aplicações distintas, afinal a primeira é utilizada em momentos de dificuldade. Já a segunda, para aproveitar distorções de curto prazo no mercado ou bons investimentos que venham a surgir.

Acumulação de patrimônio

Com a perspectiva de aumentar patrimônio, em especial no longo prazo, será necessário ter em mente que aqueles recursos que estejam atualmente na renda fixa pós fixada sejam repensados. Ou seja, aplicações que seguem 100% a variação da taxa Selic terão que buscar algo com risco adicional caso se almeje retorno maior nas aplicações financeiras.

Neste caso, faço a sugestão pelo custo de oportunidade que teremos daqui para frente. Com juros em 2% ao ano, onde o investidor poderá ganhar mais dinheiro, independente do prazo? Na minha visão, para o curto prazo, o caminho segue sendo a especulação no mercado de ações, com operações que possam ser realizadas em apenas um dia ou em poucas semanas.

Para aplicações de médio e longo prazo há duas sugestões: ou na economia real, empreendendo de fato, ou na bolsa de valores. Com o crescimento do números de contas ativas divulgadas pela B3 de maio, fica claro que já há migração de pessoas físicas para o mercado de renda variável. Ao todo, já são 2,5 milhões de contas, uma alta de mais de 100% em relação aos últimos 12 meses.

Viver de renda

Para este público há algumas alternativas, mas também há a necessidade de entender que não existirá mais tão cedo o “tal do 1% ao mês” para o conservador. Dentre as possibilidades sugeridas no segmento de aplicações financeiras, podemos indicar os títulos do Tesouro Direto com pagamento de juros semestrais, Fundos Imobiliários e ações boas pagadoras de dividendos. Aqui, nos parece uma salada de frutas, mas coloco à disposição aquelas que têm algum fluxo de recebimento recorrente, seja mensal ou semestral.

Importante destacar que cada uma tem suas características e peculiaridades e atende perfis de investidores distintos. Por essa razão é até possível ter todos esses em uma carteira diversificada de investimentos. Nos títulos do Tesouro IPCA ou Prefixado, por exemplo, é possível algo próximo a 0,5% ao mês e nos demais, por estarem em mercados de renda variável, é necessário acompanhar a variação do preço do ativo no tempo além dos dividendos a serem recebidos.

Enfim, importante mostrar e ressaltar aqui que independente do momento, é necessário ir atrás do conhecimento para buscar retornos cada vez maiores e lembrar que há inúmeras possibilidades dentro do objetivo de cada investidor.

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Comentários [ 1 ]

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  • M

    Manoel Couto

    ± 3 dias

    As taxas de juros baixas, levaram os brasileiros ao mercador de renda variável. Isso é muito positivo, uma vez que, o percentual de brasileiros investindo em ações era um dos mais baixos do mundo. Nos USA ao contrário, quase toda família investe em ações, inclusive crianças e jovens. Vale lembrar que, antes de começar a investir será preciso se informar bem de como funciona o mercado, para que se faça as escolhas certas. Educação financeira também é o melhor investimento.

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