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Para entender

Supremo Tribunal Federal ordena devolução de salários que superam teto em sete TJs

Associações de magistrados defendem separação entre remuneração e verbas indenizatórias. (Foto: Antonio Augusto/STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, ordenou nesta quinta-feira (13) que magistrados de sete estados e do Distrito Federal identifiquem e devolvam valores pagos acima do teto constitucional. A decisão busca verificar se os tribunais estão cumprindo o limite de gastos, após levantamentos apontarem pagamentos de penduricalhos que elevaram rendimentos mensais para até R$ 495 mil em alguns casos.

Como funcionam os limites de pagamento para magistrados no Brasil?

Pela Constituição, nenhum servidor público pode ganhar mais que um ministro do Supremo Tribunal Federal, o chamado teto constitucional, atualmente em R$ 46,3 mil. No entanto, uma decisão recente do próprio STF permitiu que certas verbas extras, como auxílios e indenizações, cheguem a até 70% acima desse valor, criando um novo limite de cerca de R$ 78,8 mil. O problema enfrentado agora é que muitos tribunais estaduais autorizaram pagamentos que superam até mesmo essa nova margem ampliada, o que motivou a intervenção rigorosa da Suprema Corte para reaver os recursos públicos excedentes.

Quais foram os casos mais graves identificados nos tribunais estaduais?

Levantamentos revelaram situações extremas de pagamentos no Judiciário. No Tribunal de Justiça do Distrito Federal, um magistrado aposentado chegou a receber R$ 495 mil em um único mês, o maior valor registrado no país naquele período. Já no Paraná, houve registro de um contracheque de R$ 90,3 mil. As justificativas dos tribunais variam entre restituições de impostos antigos e o acúmulo de funções, mas a falta de um padrão claro no uso das chamadas 'rubricas' — os nomes dados a cada benefício no holerite — dificulta a fiscalização e a transparência sobre o destino do dinheiro.

O que são os penduricalhos e por que eles causam polêmica?

Penduricalhos são benefícios extras somados ao salário base, como auxílio-moradia, férias não usadas convertidas em dinheiro e adicionais por tempo de serviço. A grande polêmica atual gira em torno da recriação do 'quinquênio', um bônus de 5% a cada cinco anos de trabalho. Embora tenha sido extinto há duas décadas, ele voltou sob o nome de 'parcela de valorização por antiguidade'. Críticos afirmam que rotular bônus salariais como verbas indenizatórias é uma manobra para furar o teto, pois indenizações servem apenas para repor gastos do trabalhador e não deveriam ser usadas como renda extra.

Quais são as consequências desse sistema para os cofres públicos?

O impacto financeiro é bilionário. Um estudo indicou que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Brasil pagou R$ 20 bilhões apenas em valores que superam o teto constitucional. Esse gasto beneficia apenas cerca de 1% do funcionalismo, enquanto metade dos servidores recebe até R$ 4.034,00. Além do custo direto, especialistas alertam para o 'efeito cascata': quando juízes e promotores ganham um novo benefício, outras categorias do serviço público passam a exigir o mesmo tratamento, gerando uma pressão financeira constante e sistemática sobre o orçamento do governo federal e dos estados.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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