Helicóptero saindo para missões do hangar do Aeroporto do Bacacheri| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

De perseguições policiais a emergências de saúde. Busca em mata e montanhas e até mesmo apoio em grandes manifestações. Essas são algumas das atribuições do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA), que, no Paraná, conta com quatro helicópteros e dois aviões para prestar atendimento. Só o helicóptero Falcão 03, com base em Curitiba, faz de três a cinco atendimentos diários, em média, do nascer ao pôr do sol, em toda a Região Leste do estado.

CARREGANDO :)

Vídeo: conheça o helicóptero Falcão 03 do BPMOA

Para fazer o serviço, uma equipe de policiais militares e profissionais da saúde sempre fica de plantão no hangar do Aeroporto do Bacacheri, esperando a sirene tocar, o que indica que uma emergência está acontecendo. Em questão de minutos, a equipe decola para atender os “voos pela vida” - como são chamados o salvamento de feridos, como vítimas de acidentes de trânsito, por exemplo - ou os voos de apoio ao policiamento - que, entre outros, incluem as perseguições em rodovias.

Publicidade

Leia também: Prédio de antigo frigorífico vai virar nova Casa China em Curitiba

No primeiro caso, o helicóptero voa com dois pilotos, um agente operacional - que pode ser um PM ou um bombeiro - , um médico e uma enfermeira. “Estamos no sistema de saúde estadual. Desta forma, somos acionados dependendo da gravidade da situação”, explica o tenente João Paulo de Toledo Lazaroto, piloto de helicóptero e coordenador de voo do BPMOA na capital.

Em ações de resgate médico, o Falcão 03 decola com dois pilotos, um agente operacional , um médico e uma enfermeira. 

Para que o helicóptero seja acionado, é preciso que justamente a presença do veículo faça diferença para a operação. É o caso, por exemplo, de vítimas graves em acidentes de trânsito em estradas - a exemplo de uma situação que o tenente Lazaroto considera um dos casos mais marcantes de sua carreira. “Era um acidente com vários carros envolvidos e muitas pessoas entraram em óbito. Em um dos veículos, todos os adultos tinham falecido, mas a gente conseguiu chegar para resgatar duas crianças, um casal de irmãos, que saíram com vida”, lembra.

Leia também: Curitiba terá mais um Hospital Pequeno Príncipe, um megacomplexo de 199 mil m²

Publicidade

Já no caso das operações policiais, que correspondem a cerca de 30% das ocorrências do BPMOA, os dois pilotos se juntam a mais dois policiais que cuidam da parte operacional. Os PMs operacionais saem armados com fuzis ou carabinas, armas longas de precisão usadas para qualquer emergência. Efetuar disparos com elas, no entanto, não é algo tão frequente.

Segundo Lazaroto, o objetivo principal do uso do helicóptero nesse tipo de operação é ajudar a encontrar ou cercar suspeitos em fuga, mas sempre mantendo a prioridade de preservar a vida. “Já aconteceram alguns casos, principalmente em estradas, de precisarmos disparar. Mas isso só é feito quando os fugitivos são considerados muito perigosos ou já tem algum histórico de confronto armado”, relata o tenente. E quando isso ocorre, enfatiza o piloto da PM, o policial deve ter todo o cuidado para que não haja outras pessoas em volta, para que nenhum inocente seja alvejado.

Além dos pilotos, o helicóptero conta com um agente operacional, que cuida do armamento. 

Nos três anos em que Lazaroto atua no BPMOA, ninguém da equipe se feriu em perseguições. Mesmo assim, o batalhão toma precauções para que a aeronave não tenha problemas caso isso ocorra. “Sempre tomamos a precaução de ter dois pilotos na aeronave, para que caso um fique impossibilitado de conduzir, o outro assuma o comando”, explica. Já em outras ocorrências, a presença de dois pilotos é necessária porque um é responsável por controlar os comandos principais, enquanto o outro faz o planejamento do voo, confere as condições climáticas e faz o contato com quem está no solo.

O que diferencia a atividade de uma pilotagem normal de helicóptero, inclusive, são as condições de voo. “Em perseguições, por exemplo, nós temos que voar muito baixo e muito devagar, o que nos deixa mais expostos a obstáculos como colisão com pipas e aves - que já aconteceram comigo, mas nunca acabaram em nada grave”, descreve Lazaroto.

Publicidade

Estrutura da aeronave

Cada equipe do BPMOA faz plantão de 12 h para atender as ocorrências. 

Outro diferencial é a estrutura da aeronave. No caso da Falcão 03, que fica na base de Curitiba, trata-se de um modelo Airbus EC130B4, que normalmente teria capacidade para sete pessoas. Mas, em configuração para atender os voos pela vida, dois bancos são substituídos por uma maca e um kit aeromédico, que inclui malas de atendimento a trauma, cardioversor e máscaras de oxigênio, por exemplo.

Para prestar os atendimentos, o BPMOa trabalha em esquema de plantão de 12h diárias ao longo de uma semana, que é alternada com uma semana de folga. Fora as ocorrências regulares de saúde e policiamento, também é uma aeronave do BPMOA a responsável auxiliar a Operação Verão do Corpo de Bombeiros, no Litoral do estado. Ou seja, é este o serviço que ajuda em casos de afogamentos nas praias. As aeronaves da Polícia Militar também atuam em incêndios ambientais e mapeamento de terras.

Em qualquer um desses casos, Lazaroto conta que, para todos os integrantes do batalhão, a principal satisfação é a diferença substancial que o serviço permite em vários âmbitos da sociedade. “É muito bom fazer a diferença na vida de quem mais precisa, seja para o policial que tá acompanhando um bandido, evitando confronto armado, ou levando uma gestante para ter um bebê de risco em um hospital de referência”, exemplifica.

Como funciona o helicóptero

Painel de controle do Falcão 03, o helicóptero do batalhão aéreo da PM em Curitiba.  
Publicidade

O coração da aeronave, diz o tenente, é o rotor principal - as hélices na parte superior, que giram no sentido horário e dão o centro de gravidade de qualquer helicóptero. “Caso dê algum problema durante o voo, é possível continuar sem o motor funcionando. Mas sem o rotor principal, o helicóptero cai”, diz. Além disso, comandos técnicos como cilindros, pedais e os próprios mostradores estão em jogo.

Mas antes de tudo isso começar a ser operado, para que a aeronave decole para uma ocorrência, é preciso conferir o tempo, tanto na região de partida como no local de destino. Isso porque dependendo das condições meteorológicas não é possível voar. Em um helicóptero, o principal fator externo que influencia no voo, explica o tenente Lazaroto, é o vento. “Esse é um veículo que funciona por compensação. Tudo que interferir na aeronave do lado de fora, eu preciso acionar um comando aqui dentro para que ela não penda demais para um lado ou para o outro”, esclarece o oficial.

Outro aspecto importante que diferencia o helicóptero de um avião comercial, por exemplo, é que essa aeronave não consegue executar quase nenhum comando automático. E justamente por causa da complexidade dos comandos é que existem dois responsáveis por pilotar. Para Lazaroto, todo esse contexto faz com que um voo seja sempre diferente do outro, e a rotina dos policiais que integram o time, imprevisível.

Conheça o helicóptero Falcão 03 do BPMOA