A cada nova tempestade, é a mesma história: diversas árvores caem e complicam o trânsito e a vida do curitibano. No temporal de 6 de março não foi diferente. Segundo balanço da prefeitura, pelo menos 11 árvores tombaram, inclusive dentro de casas e sobre carros — e, por sorte, ninguém ficou ferido. Em seu perfil no Facebook, o prefeito Rafael Greca chegou a compartilhar algumas dicas de segurança para casos assim e uma das recomendações é que a população fique atenta à saúde da arborização urbana. Mas como se faz isso?

Para o biólogo responsável pela Gerência de Arborização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), Luiz Felipe Moscaleski Cavazzani, qualquer pessoa pode identificar se uma árvore está ou não saudável a partir de uma rápida observação em busca de possíveis problema. Segundo ele, isso permite que a população informe a prefeitura os pontos de perigo, minimizando os riscos.

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Danos físicos

A primeira coisa que uma pessoa deve procurar na hora de observar a saúde de uma árvore é a situação do tronco em si. “Para o leigo conseguir fazer uma pequena análise da sanidade da planta é [preciso] ver se tem algum dano físico”, explica Cavazzani. Entre os sinais mais aparentes de problemas são buracos ou mesmo a presença de alguma parte oca.

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“Se você vê uma coloração diferente no tronco ou no galho, é um sinal. Além disso, se você passa a mão e percebe que a madeira está esfarelando, é outro indicativo de que algo está errado”, exemplifica o especialista.

Outro ponto que pode ser identificado apenas com o olhar é a própria inclinação da estrutura. Segundo o biólogo, algumas árvores têm naturalmente algum tipo de inclinação e não há nada de errado com isso. Contudo, se você perceber que aquela árvore na frente da sua casa está com uma angulação diferente, isso pode significar que tem algum problema na raiz, por exemplo.

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Impermeabilização do solo

De acordo com Cavazzani, um dos problemas mais recorrentes com as árvores de Curitiba é causado pela própria população. “Quando a pessoa cimenta a calçada próximo do tronco, isso acabar causando um prejuízo para toda a árvore. Ela não vai conseguir pegar nutrientes do solo e isso acaba apodrecendo a raiz”, explica o especialista. Segundo ele, esse tipo de situação é bem comum principalmente por questão de desconhecimento.

Por isso, ele diz que o ideal é que as calçadas sejam colocadas em um raio de um metro da base do tronco, o que garante que o solo próximo à raiz receba a água necessária para que a planta se mantenha saudável. “Além disso, o corte de raízes também não é recomendado. Mesmo quando elas atingem as calçadas, o ideal é fazer algum tipo de elevação e se adequar à estrutura da árvore”, afirma. “Só isso, já ajudaria muito a diminuir problemas”.

Agentes externos

Outro problema bastante comum em relação às árvores da cidade são os agentes externos. São pragas que atacam a planta e comprometem toda sua estrutura. Isso inclui insetos, fungos e até mesmo outros vegetais — e que nem sempre são identificados na primeira olhada.

Segundo Cavazzani, o parasita mais comum nas árvores de Curitiba é a erva de passarinho, uma outra planta que se fixa no tronco e passa a roubar nutrientes da hospedeira. “É muito difícil para uma pessoa leiga identificar a erva de passarinho, porque ela é um tipo de cipó que fica no meio da planta”, explica o biólogo, que destaca que a praga não chega a matar a árvore, mas pode gerar outros tipos de problemas. “Ela vai pesar e derrubar galhos, por exemplo”.

Uma forma bastante eficiente de saber se a sua árvore está sendo atacada pela erva de passarinho é procurar por folhas diferentes. Além disso, se a árvore perde as folhas em determinada época do ano e somente uma pequena parte permanece verde, pode ser um indicativo de que ela tem um parasita por ali. Nesses casos, é preciso ligar para o 156.

Já insetos e fungos são mais fáceis de observar, seja pela presença de pequenos pontos no tronco que revelam a existência de pragar internas ou mesmo por cogumelos — como a orelha-de-pau.

O que fazer

Seja qual for o problema identificado, a recomendação da SMMA é que a pessoa sempre ligue para a Central 156 para informar a condição da árvore. Somente as equipes da prefeitura podem fazer a poda ou o corte.

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