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Justiça

Coritiba pode pagar caro por briga com Deivid

Fim do vínculo trabalhista com o atacante faz Coxa correr o risco de transformar dívida de R$ 924 mil com o jogador em R$ 12,5 milhões

Deivid durante treino no Coritiba. Foram 19 meses de clube, 30 jogos, 13 gols e passivo milionário | Albari Rosa / Gazeta do Povo
Deivid durante treino no Coritiba. Foram 19 meses de clube, 30 jogos, 13 gols e passivo milionário (Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo)

O Coritiba já vencia o Grêmio por 1 a 0, na noite de 22 de agosto de 2012, quando Felipe Carrilho chegou ao Couto Pereira. O empresário assistiu ao restante do jogo, um 3 a 2 insuficiente para manter o Coxa na Sul-Americana, e foi tratar do negócio que o trouxera a Curitiba. Com o presidente Vilson Ribeiro de Andrade e o superintendente de futebol Felipe Ximenes, acertou os detalhes para a transferência do atacante Deivid, seu cliente, para o Alto da Glória.

Entenda a dívida do Coritiba com Deivid

Uma transação formalizada 13 dias depois e encerrada na semana anterior ao Carnaval deste ano (19 meses de clube). Deixou um saldo de 30 jogos, 13 gols e um título do atacante com a camisa do Coritiba. E uma dívida de R$ 924 mil com o jogador que transformou-se em uma ação trabalhista de R$ 12,5 milhões. Além disso, foi um dos estopins de duas cartas do elenco contra o presidente alviverde – uma delas, de teor mais agressivo, trazida à tona no domingo passado.

Deivid tornou-se legalmente jogador do Coritiba em 4 de setembro de 2012. Neste dia, assinou dois contratos. O primeiro, um contrato especial de trabalho desportivo, válido até 30 de abril de 2015. O salário estipulado foi de R$ 100 mil. Até o encerramento, Deivid receberia cerca de R$ 3,5 milhões.

O outro acordo foi firmado entre o Coritiba e a D9 Marketing e Consultoria Desportiva Ltda., a pessoa jurídica que representa Deivid. Era um contrato de "cessão de uso de imagem, voz, nome e apelido desportivo de atleta profissional de futebol". Neste documento, Deivid cedeu ao Coritiba seu direito de imagem. Na prática, a permissão para o clube e seus parceiros usarem o atacante em promoções, propagandas e ações publicitárias. Também estipulava outras obrigações, como comparecer a entrevistas e eventos designados pelo Coxa.

Também com duração até 30 de abril de 2015, este segundo contrato tinha um valor total de R$ 4,69 milhões. O pagamento era escalonado: entrada de R$ 450 mil, três mensalidades de R$ 200 mil e depois R$ 130 mil mensais. Ainda havia gatilhos para bônus de acordo com o desempenho individual e coletivo de Deivid. Prêmios de R$ 50 mil (título e artilharia estadual) a R$ 1 milhão (título brasileiro).

Ao contrário do pregado atualmente pelo presidente do Coritiba, de que o direito de imagem deve corresponder a no máximo 20% do pagamento total ao jogador, a proporção entre salário e "por fora" pagos a Deivid era bem próxima à prática comum no futebol brasileiro. Nos três meses com pagamento de R$ 200 mil, o direito de imagem correspondia a 66,5% do gasto com Deivid. A partir de janeiro do ano passado, quando o extra passou a R$ 130 mil, a proporção era de 56,5% de imagem e 43,5% de salário.

Com o salário mantido em dia, foi o contrato de imagem o motivo do atrito agora judicial. Em janeiro do ano passado, o clube começou a atrasar o pagamento de imagem. Também deixou de pagar o prêmio pelo título paranaense. Uma dívida que, no meio de 2013, com a devida atualização monetária, foi estipulada entre as partes em R$ 1,248 milhão e parcelada.

No dia 6 de agosto de 2013, o Coxa e a D9 assinaram um aditivo ao contrato de imagem tratando dessa renegociação. Pelo novo acordo, seriam descontados da dívida R$ 240 mil pagos no dia 24 de julho de 2013 e a diferença seria paga em 12 parcelas de R$ 84 mil, a partir de 15 de agosto de 2013. A primeira foi quitada. As seis seguintes, não.

Foi esse atraso que levou Deivid a procurar a advogada Gislaine Nunes e acionar o Coritiba na Justiça. A ação foi protocolada no dia 25 de fevereiro, quando o Coxa devia para o seu ex-jogador R$ 924 mil em direito de imagem e do prêmio pelo título paranaense do ano passado. Dívida que virou um pedido judicial de R$ 12,5 milhões, cujo pagamento o Coritiba tentará evitar (ou ao menos atenuar) nos tribunais.

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