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Golaço e idolatria: 

Madureira: memórias do jogador que ajudou a colocar o futebol paranaense no mapa

Possivelmente o maior ídolo do futebol curitibano dos anos 60, Madureira ganha biografia. Jogador ficará na história por causa de gol contra o Santos , há 47 anos

  • Julio Filho
Madureira, aos 63 anos, um mito do futebol paranaense. | André Rodrigues/Gazeta do Povo
Madureira, aos 63 anos, um mito do futebol paranaense. André Rodrigues/Gazeta do Povo
 
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A noite de domingo do dia 8 de setembro de 1968 está assinalada na história do futebol paranaense.

A vitória do Atlético por 3 a 2 sobre o mítico Santos de Pelé, na Vila Capanema, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, já bastaria para consolidar tal afirmação. Um lance do ataque rubro-negro aos 23 minutos da segunda etapa, no entanto, sacramentou o caráter imortal do evento: mais especificamente, o gol antológico do ex-atacante Madureira, hoje aposentado, de 74 anos.

CONFIRA trechos do livro Madureira Craque e Guerreiro e galeria de fotos

“O Nilson, que era canhoto, me passou a bola com o pé direito. O Zé Roberto se movimentou para o lado esquerdo. Eu driblei o Carlos Alberto Torres. Em seguida, o Ramos Delgado. Aí vieram o Joel e o goleiro Cláudio. Quando passei pelo último, vi o Rildo sobre a linha do gol. Depois, só me lembro da festa da torcida”, relata Carlos Roberto Ferreira, o Madureira.

O embate registrou ainda o maior público da história da Vila, 24.303 pagantes – muitos, relatam os mais antigos, especialmente para assistir ao antigo camisa 9. Neste dia, Pelé não pôde jogar e acompanhou tudo das arquibancadas. Fora de combate, restou ao Rei reconhecer o feito do adversário. “Dizem que ele pulava e batia palmas após o gol”, prossegue Madureira.

MEMÓRIA FC: galeria com 35 fotos – Atlético bate Santos de Pelé, Vila tem público recorde e incidente com torcedor eletrocutado

Por isso, 1968 – em meio às dificuldades políticas do país e ápice do futebol bem jogado – não terminou para o ex-boleiro. Fcou na história, espécie de assinatura como atleta.

O golaço de Madureira

Veja o lance que eternizou o atacante.

+ VÍDEOS

No início de dezembro, o carioca deixou a tranquilidade da residência em Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro, para prestigiar, em Curitiba, o lançamento do livro que percorre sua biografia: Madureira Craque e Guerreiro, escrito pelo jornalista Josias Lacour. “Me sinto muito honrado em saber que deixei uma marca. Que, depois de tantos anos, o pessoal ainda lembra de mim. Mas eu acho que é muita bondade que o pessoal tem comigo”, brinca o ex-jogador.

Apesar do tom humilde do craque, a passagem de Madureira pela capital paranaense marcou o fim da década de 60 e os primórdios dos anos 70. No final de 1967, o atacante foi vendido pelo Metropol-SC, onde jogava, para o Ferroviário, um dos embriões do Paraná. Na Vila Capanema, rapidamente foi alçado ao status de ídolo. Na cidade, virou garoto-propaganda de lojas e produtos.

“Não sei se fui o maior ídolo do Ferroviário. Mas tenho lembranças maravilhosas. Eu me sentia em casa. Me lembro que ficávamos na concentração embaixo do relógio da Vila e, nos momentos de folga, lavávamos nossos carros no estacionamento antes de irmos jogar”, conta, saudosista. Madureira defendeu o Ferroviário nos anos de 1968, 69, 70 e 71. Em 1968, foi emprestado para o rival Atlético, que disputaria o Robertão. Em 1973, acumulou a segunda passagem pelo Furacão. Somando as aparições por ambos os clubes, anotou o total de 67 gols.

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André Rodrigues/Gazeta do Povo

“Quando ele apareceu pela primeira vez achavam que ele era lateral-direito, porque era muito baixinho”, brinca o companheiro de Rubro-Negro, Barcímio Sicupira. “Mas que nada. Depois vimos que era atacante dos bons e ainda batia nos zagueiros”, descreve.

Sobre a origem do apelido, Madureira explica que surgiu quando ele tinha nove anos de idade e participou de um campeonato de garotos no bairro Santo Cristo, no Rio de Janeiro.

“Nosso time jogaria com a camisa do Fluminense. Fui até a loja e pedi uma camisa do Tricolor. Só depois, na hora do jogo, fui ver que tinha comprado a camisa do Madureira. Aí já era tarde. O apelido ficou pra sempre”, brinca o ex-atleta.

Confira trechos da obra sobre a vida de Madureira

Gol de placa

“Em 1989, o poderoso Santos Futebol Clube - então bicampeão mundial - foi a Curitiba enfrentar o Clube Atlético Paranaense. Nesse jogo, Madureira recebeu a bola pela meia esquerda, partiu com ela dominada para a área, enfiou a bola entre as pernas de Carlos Alberto Torres (dois anos mais tarde capitão da Seleção Brasileira tricampeã mundial, no México), deixou o famoso zagueiro Joel Camargo no chão, driblou o goleiro Cláudio e, próximo à marca do pênalti, desferiu um chute forte, com o pé direito, a meia altura. Rildo, no desespero, já na linha final, atirou-se, com as duas mãos, contra a bola para tentar evitar que ela entrasse, mas não teve jeito: bola na rede, golaço de Madureira. E que golaço!” .

Estreia no Ferroviário em jogo contra o Britânia

“Para mim aquela estreia era como se fosse uma decisão de campeonato. Eu tinha plena consciência de minha responsabilidade. Sabia que teria que corresponder à expectativa de todos. E que, de cara, precisava comprovar que o clube não gastara um dinheirão em meu passe, mas sim investira em um goleador. Determinado, entrei campo com fome de gols. Felizmente eles surgiram. Fizemos cinco, marquei o meu e dei assistência para outros dois. Era mesmo a estreia dos sonhos”

Início no América-RJ

“Eu ia de bonde aos treinamentos e jogos do América-RJ, no bairro do Andaraí. Pegava o bonde número 39 que fazia o percurso do Santo Cristo, onde morava, e ia até a estação Leopoldina. Minhas primeiras chuteiras, que meus pais deram de presente de aniversário, esqueci no bonde. Eu estava muito cansado e, durante a viagem, peguei no sono. Me acordaram já no ponto final, aos gritos. Além de não poder treinar naquela tarde ainda levei uns tapas de meu pai, quando cheguei em casa e contei-lhe do ocorrido”

Serviço

Compras exclusivamente pela loja virtual do site: www.institutomemoria.com.br

Valor : R$ 50

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