
A seleção brasileira iniciou ontem, dia 22, sua segunda fase com Dunga, 50 anos, como seu comandante. Após a primeira passagem entre 2006 e 2010, o ex-jogador foi apresentado novamente para ser o treinador do time nacional pelos próximos quatro anos, com foco no Mundial de 2018, na Rússia.
INFOGRÁFICO: Restrospecto de técnicos que voltam ao comando da seleção é negativo
Definida a queda de Felipão após a Copa, o nome de Dunga não despontou entre os favoritos para o cargo. Enquetes indicavam que mais de 70% dos torcedores reprovaram a opção da CBF por ele como o novo técnico do Brasil.
Em seu retorno, o gaúcho relatou que pretende reverter a rejeição ao seu nome, que pode ser explicada por dois fatores que estão associados: a eliminação da seleção no jogo contra a Holanda nas quartas da Copa de 2010 e a preferência dos brasileiros, expressa em pesquisa recente do Datafolha, por treinadores que jamais tinham treinado o time nacional. "Eu acredito muito no torcedor brasileiro. Minha meta é mudar a maneira de as pessoas pensarem a meu respeito", disse Dunga.
"Nelson Mandela tinha tudo contra e conseguiu mudar a forma de as pessoas pensarem com paciência. Espero que eu possa ter 1% da paciência dele", afirmou, fazendo a ressalva de que não sente a rejeição no dia a dia.
Prometeu seguir o pensamento pregado pela CBF, de integrar o trabalho das categorias de base da seleção com o do time profissional. "Vamos trabalhar juntos com as categorias de base, com o [Alexandre] Gallo [responsável pela base], e a coordenação do Gilmar. A CBF está nesse planejamento há dois anos e vamos dar sequência. Temos de colocar os jogadores aos poucos, e eles não vão entrar por serem novos, mas por competência", afirmou.
Ele deixou claro que o foco de seu trabalho será construir uma equipe para a Copa-2018, mas que o percurso até a Rússia será complicado. "Na minha primeira passagem, foi pedido para resgatar o valor da seleção, a camisa e obter resultados. Só conseguimos isso com resultados. A segunda passagem é preparar a seleção para a Copa de 2018", disse, avisando que não vai iludir o torcedor. "Não vou vender um sonho, vou vender uma realidade. E a realidade precisa de trabalho. Não podemos passar para o torcedor que somos os melhores."



